Reposição e boi gordo batem novos recordes, o que esperar?

Reposição e boi gordo batem novos recordes, o que esperar?

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Foto: AGROinBLUE

Pesquisa do Cepea aponta valor de R$ 247,10 por arroba do boi gordo em São Paulo, com bezerro custando 2.222,91 a cabeça. Veja o que esperar!

De acordo com o levantamento de preços do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços da reposição e do boi gordo bateram novos recordes. A pesquisa é feita com base nos preços em São Paulo, onde o indicador do boi gordo chegou a R$ 247,10 por arroba. Enquanto isso, o bezerro bateu R$ 2.222,91 por cabeça e o boi magro, R$ 3.300,12, também por cabeça. 

O pesquisador do Cepea, Thiago Bernardino, aponta que os principais fatores que impulsionam os preços foram escassez de oferta e exportações elevadas. “Temos uma oferta muito restrita. Primeiro giro de confinamento com oferta muito baixa, muita seca. E as exportações indo bem”, afirma.

Segundo app da Agrobrazil, os preços para arroba do boi gordo se igualou nas praças de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, com animais para o mercado Boi China, valendo R$ 250,00/@. Já na praça de Goiás, os preços seguem na casa de R$ 240/@. Para animais não China, a diferença chega a -R$ 5,00/@.

Pecuarista de Rancharia/SP, informou negócios para o boi China, com valor de R$ 250/@ com prazo de 8 dias para pagamento e abate para o dia 16 de setembro. Já com o destino ao mercado interno, em Luziânia/GO, os preços chegaram a R$ 238,50/@ com pagamento à vista e abate para o dia 10 de setembro.

Os preços dos bezerros, também informados no aplicativo da Agrobrazil, tiveram valores de R$ 2400,00/cab para animais Angus CI, em Bataguassu/MS. Já em Anaurilândia/MS, o valor informado foi de R$ 2050,00/cab para animais com peso médio de 210 kg.

Segundo a Agrifatto, a semana mais curta e gerou movimento mais aquecido no balcão. As indústrias seguem na tentativa de preencher as escalas de abate, com isso, os preços da arroba têm ganhado ainda mais força em grande parte das regiões. Em São Paulo, negociações acima dos R$ 245,00, para o animal destinado à exportação, já começam a ser vistas.

Tendência

A tendência de preços no final do ano dependerá bastante do comportamento da demanda doméstica no último trimestre, segundo Bernardino. Porém, a expectativa do pesquisador é de que os preços se mantenham firmes, pois a China deve continuar comprando muita carne bovina brasileira. Além disso, apesar de estar previsto um aumento da oferta vinda do segundo giro de confinamento, este não deve ser capaz de gerar pressões de baixa muito relevantes nas cotações até o final do ano.

Investimento

O pecuarista que pretende decidir se o investimento na recria e engorda é vantajoso deve ter olhar atento à tecnologia e fatores de produção, de acordo com Bernardino. 

“Independente de comprar um boi caro, vai depender de como você vai trabalhar isso dentro da propriedade. Quais são os fatores de produção. Não adianta comprar um bezerro ou boi magro caro e não dar uma boa alimentação e sanidade. Então, vale a pena sim comprar esse boi magro e bezerro caro, engordar em giro rápido. Mas, realmente, usar a tecnologia”, analisa.

Por fim, o pesquisador avalia que a margem apesar de ajustada ainda é positiva. “A margem pode ser um pouco menor, mas ainda vale a pena sim comprar o bezerro e o boi magro e terminar ele. A margem ajustou, oscilou ao longo do ano, mas hoje a margem é positiva apesar dos custos em alta”, conclui.

Oferta restrita segue ditando o rumo dos preços no mercado de reposição

Na última semana a valorização foi de 1,9%, considerando a média de todos os estados monitorados aqui pela Scot Consultoria, entre machos e fêmeas anelorados. No acumulado de agosto a alta foi de 5,7%, frente a 0,8% no mesmo período de 2019.

Com informações do Cepea, Agrobrazil, Agrifatto e Canal Rural

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