Início das chuvas pode favorecer a resposta das forrageiras, mas aplicação sem diagnóstico do solo e planejamento do pastejo aumenta o risco de prejuízo
A adubação de pastagem em setembro pode antecipar a rebrota e ampliar a oferta de forragem onde as chuvas já retornaram de maneira regular. O mês, porém, não deve ser usado como regra: aplicar fertilizante sobre solo seco ou diante da possibilidade de um veranico reduz o aproveitamento dos nutrientes.
Para setembro de 2026, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) prevê chuvas dentro ou acima da média em áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, enquanto partes do Norte e do Nordeste podem registrar volumes abaixo do normal. Como a distribuição da chuva varia dentro de cada região, o produtor deve acompanhar as condições da propriedade antes da aplicação. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
Quando fazer a adubação de pastagem em setembro
O melhor momento ocorre quando o solo já possui umidade suficiente e existe previsão de continuidade das chuvas. Uma precipitação isolada não garante água para sustentar a rebrota, especialmente depois de uma seca prolongada.
Antes de comprar o fertilizante, é necessário realizar a análise do solo. O diagnóstico mostra se existem problemas de acidez ou deficiência de fósforo, potássio e outros nutrientes. Sem essa avaliação, o produtor pode aplicar uma fórmula inadequada e não corrigir o fator que realmente limita o crescimento do capim.
A Embrapa Pecuária Sudeste alerta que recomendações padronizadas, sem considerar a fertilidade do solo e a necessidade da forrageira, podem causar prejuízo e desequilíbrio nutricional. O planejamento para recuperar ou reformar a pastagem também deve começar pela avaliação da área.
Nitrogênio aumenta a produção, mas exige manejo
O nitrogênio costuma acelerar o crescimento, a emissão de folhas e o perfilhamento das gramíneas. A resposta será limitada, entretanto, se houver deficiência de outros nutrientes, acidez elevada, falta de água ou degradação avançada.
Também não adianta produzir mais capim sem animais para consumi-lo. A fazenda precisa ajustar a lotação, organizar os piquetes e controlar as alturas de entrada e saída do rebanho. Caso contrário, parte da forragem pode envelhecer, formar colmos ou ser perdida.
Pesquisa da Embrapa com capim-marandu mostrou que a produção respondeu à adubação nitrogenada, mas também encontrou um ponto a partir do qual doses maiores deixaram de gerar aumento produtivo. Como o experimento foi realizado em condições específicas de solo, clima e manejo, seus resultados não devem ser usados como recomendação geral de dose.
Quando o investimento começa a compensar
A adubação compensa quando a receita obtida com a produção adicional supera o custo total da operação. A conta deve incluir fertilizante, frete, aplicação, análise do solo, correção da acidez, assistência técnica e eventuais investimentos em cercas, água e animais.
De forma simplificada:
Retorno da adubação = receita adicional − custos adicionais
Na pecuária de corte, a receita adicional pode ser calculada pelas arrobas extras produzidas por hectare. Na atividade leiteira, deve-se considerar o volume adicional de leite efetivamente comercializado. O crescimento do capim, sozinho, não representa retorno financeiro.
O parcelamento das aplicações durante o período chuvoso pode diminuir riscos e acompanhar os ciclos de crescimento da forrageira. A dose e o número de parcelas, contudo, devem ser definidos conforme a análise do solo, a espécie cultivada e a meta de produção.
Quando é melhor esperar
A aplicação deve ser reavaliada quando:
- A fazenda não possui análise recente do solo;
- As primeiras chuvas foram isoladas;
- A pastagem apresenta muitas falhas ou invasoras;
- Há compactação, erosão ou degradação severa;
- Não existem animais ou estrutura para aproveitar o capim adicional;
- O custo não foi comparado com o retorno esperado.
Áreas muito degradadas podem exigir recuperação completa ou reforma, pois a adubação isolada não resolve perda de cobertura, compactação severa ou baixa população de forrageiras. A aplicação também precisa estar associada às boas práticas de manejo da pastagem.
Setembro pode abrir uma boa janela para adubar, mas a decisão deve combinar chuva regular, análise de solo, recomendação técnica e capacidade de aproveitar a forragem. É essa integração — e não apenas o calendário — que define se o investimento trará retorno ao produtor.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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