Silagem de grão de milho úmido não mata o rebanho

Silagem de grão de milho úmido não mata o rebanho

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Foto: Divulgação

Nota de esclarecimento foi emitida por Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras

No último domingo (13/08/2017) foi exibida uma matéria em rede nacional, a qual se tratava das mortes de bovinos ocorridas em uma propriedade no município de Ribas do Rio Pardo, MS.

Segundo a reportagem, amostras dos alimentos utilizados na ração dos animais foram encaminhadas aos laboratórios da região e a toxina botulínica foi encontrada na silagem de grãos de milho, o que pode ter levado os bovinos a óbito.

Desse modo, foi concluído pela reportagem, que este tipo de silagem é considerado uma “armadilha” para os produtores e que este tipo de alimento não deve ser utilizado no plano alimentar das propriedades rurais.

Infelizmente, esta foi uma afirmação desastrosa e completamente sem fundamentos.

A silagem de grãos úmidos é uma técnica utilizada pelos pecuaristas de todo o mundo. No Brasil, a sua importância é destacada porque a maioria dos grãos de milho possui baixa digestibilidade do amido, devido ao tipo de endosperma que os grãos apresentam (tipo duro). Com a fermentação dos grãos por meio da ensilagem, o amido se torna mais digestível, o que eleva a eficiência de uso do alimento, ou seja, o animal come menos, mas produz mais porque o alimento é melhor aproveitado.

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Milho úmido pronto para a sliagem / Foto: DBO

Com relação a silagem de grãos reidratados, existe ainda uma outra vantagem que é do ponto de vista econômico, pois os grãos podem ser comprados em períodos de alta oferta, ou seja, quando os preços estão mais baixos.

A presença da toxina na silagem pode ter ocorrido pela contaminação de carcaça de origem animal (Exemplo: rato morto e em decomposição). Casos semelhantes ocorreram nos Estados Unidos e em Israel, onde mais de 500 bovinos morreram, devido à toxina botulínica. Nestes casos, a carcaça de um animal e as fezes de aves contaminaram um ingrediente utilizado na ração. Assim como ocorreu no Brasil, como vários alimentos compõem a dieta dos animais e estes são misturados em grande volume diariamente, basta um deles estar contaminado que as mortes por intoxicação podem ocorrer, pois 1 g da toxina purificada é capaz de matar 10 milhões de indivíduos. Desse modo, é importante estar atento a possíveis fontes de contaminação de todos os ingredientes da ração, não só da silagem.

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Foto: Wisconsin Corn Agronomy – HMC, HMEC and Snaplage

Portanto, a conclusão de que a silagem de grãos é ‘armadilha’ para os produtores NÃO é correta. A mesma é preconizada por professores/pesquisadores que desenvolvem estudos na área e que vem sendo muito bem utilizada por nutricionistas e produtores brasileiros.

Nota da Milkpoint escrita pelo Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) – MG

Thiago F. Bernardes é Professor Adjunto II no Departamento de Zootecnia (DZO) da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Realizou seu curso de graduação em Agronomia na UFLA em 2000 e seu Mestrado e Doutorado em Zootecnia na Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Jaboticabal, em 2003 e 2006, respectivamente. Durante o seu Doutoramento esteve por 7 meses na University of Turin (Itália) participando de um treinamento na área de Conservação de Forragens. Em 2008 finalizou seu estágio de Pós-doutoramento em Ciência Animal e Pastagens pela Universidade de São Paulo (USP), campus Luiz de Queiroz (ESALQ).

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