Sócio da Pixbet é preso em operação bilionária; empresa controla gigante arena de vaquejada

Diomar Tadeu Dantas de Farias foi preso preventivamente pela Polícia Federal nesta quinta-feira (17); investigação sobre movimentações financeiras ligadas ao mercado de apostas já levou a Justiça a autorizar o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores. Pixbet também mantém complexo de vaquejada de cerca de 600 hectares na Paraíba.

Um dos nomes ligados à Pixbet, empresa que ganhou projeção nacional no mercado de apostas e também mantém forte presença no universo esportivo e da vaquejada, foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (17), na Paraíba. Diomar Tadeu Dantas de Farias, sócio minoritário da companhia, foi alvo de prisão preventiva durante a segunda fase da Operação Arena.

A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e crimes contra as ordens tributária e financeira. Além da prisão, a Polícia Federal cumpriu cinco mandados de busca e apreensão e medidas de sequestro de bens em João Pessoa e Campina Grande.

A dimensão financeira da investigação chama atenção: na primeira fase da Operação Arena, deflagrada em agosto, a Justiça autorizou medidas de sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão, além da quebra de sigilos bancário e telemático.

O caso também chama atenção no meio equestre porque a Pixbet está ligada à Arena Vaquejada Pixbet, em Gurinhém (PB), complexo de aproximadamente 600 hectares que recebe grandes vaquejadas e shows.

Até o momento, porém, não há informação de que a Arena Vaquejada Pixbet ou as competições realizadas no espaço sejam investigadas pela Polícia Federal. A conexão com a vaquejada decorre da atuação empresarial da companhia e não significa que o empreendimento equestre esteja envolvido nas suspeitas apuradas na Operação Arena.

Quem é o sócio da Pixbet preso pela PF

O empresário preso foi identificado como Diomar Tadeu Dantas de Farias. Ele é primo de Ernildo Júnior Farias Santos, proprietário da Pixbet e que já havia sido alvo da primeira fase da investigação.

Informações divulgadas sobre a composição societária apontam que Diomar detém 30% da Pixbet, enquanto Ernildo possui os outros 70%.

Diomar foi localizado em Jacumã, no Litoral Sul da Paraíba, e preso preventivamente. A investigação permanece sob análise da Justiça Federal.

Ernildo, por sua vez, havia sido alvo da primeira fase da Operação Arena, deflagrada em 13 de agosto. Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados: Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.

Operação colocou até R$ 1,1 bilhão na mira

O número que dá dimensão à investigação está nas medidas patrimoniais autorizadas pela Justiça.

Durante a primeira fase, foram determinadas medidas de sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.

A Polícia Federal investiga se um grupo empresarial utilizava uma estrutura societária e financeira montada no Brasil e no exterior para dificultar a identificação da origem e do destino de recursos provenientes das apostas esportivas e de jogos de azar.

Entre os pontos investigados aparecem empresas estrangeiras, operações de câmbio e ativos digitais.

A suspeita é de que estruturas empresariais constituídas fora do Brasil tenham participado da movimentação de grandes volumes financeiros apesar de, segundo informações atribuídas à Receita Federal, não apresentarem atividade econômica compatível com os valores movimentados.

Criptomoedas entram no caminho investigado pela PF

Outro ponto que aumenta a complexidade do caso é a utilização de ativos digitais.

As investigações analisam operações envolvendo aquisição de criptoativos, incluindo stablecoins, remessas ao exterior e movimentações entre empresas brasileiras e estrangeiras.

A apuração busca determinar se essas transações foram utilizadas para ocultar patrimônio, omitir rendimentos ou dar aparência regular a recursos relacionados ao negócio das apostas.

As suspeitas fazem parte de uma investigação em andamento e ainda dependerão da conclusão das apurações e das decisões judiciais sobre a responsabilidade de cada envolvido.

Pixbet também entrou forte no mundo da vaquejada

Embora tenha ficado nacionalmente conhecida pelas apostas esportivas e pelos grandes patrocínios no futebol, a Pixbet também construiu presença relevante no universo da vaquejada.

A empresa está ligada à Arena Vaquejada Pixbet, localizada no município de Gurinhém, às margens da BR-230, na Paraíba.

O complexo possui aproximadamente 600 hectares e recebe competições de vaquejada e apresentações de artistas de projeção nacional.

A dimensão dos eventos realizados no espaço também chama atenção. Em 2025, a premiação da principal vaquejada realizada na Arena Pixbet ultrapassou R$ 1,4 milhão.

A estrutura colocou o nome da empresa diante de um público muito além das apostas esportivas, especialmente dentro de um dos segmentos equestres de maior força econômica e cultural do Nordeste.

Arena de vaquejada não é apontada como alvo

A distinção é importante.

Apesar de a Pixbet estar ligada ao empreendimento equestre, as informações divulgadas até agora pela Polícia Federal não apontam a Arena Vaquejada Pixbet, seus competidores, animais, premiações ou eventos como integrantes do suposto esquema financeiro investigado.

A Operação Arena está concentrada, até o momento, na estrutura societária e financeira relacionada à empresa de apostas e nas movimentações que teriam ocorrido dentro e fora do Brasil.

Portanto, a existência da arena ajuda a dimensionar a diversificação dos negócios e a presença da marca no universo da vaquejada, mas não permite estabelecer ligação entre os eventos e as suspeitas de lavagem de dinheiro investigadas pela PF.

De apostas a grandes patrocínios

A Pixbet construiu uma exposição nacional acelerada nos últimos anos.

Além das apostas on-line, a marca chegou a patrocinar alguns dos maiores clubes de futebol do país, entre eles Flamengo e Corinthians.

No caso do Flamengo, o acordo previa valores de aproximadamente R$ 125 milhões por temporada, antes do encerramento da parceria em 2025.

A empresa também possui ligação com o Serra Branca Esporte Clube, da Paraíba, que conta com centro de treinamento em Campina Grande.

No setor equestre, a Arena Pixbet ampliou essa estratégia de exposição, aproximando a marca de um mercado com forte presença no Nordeste e movimentação significativa em animais, competições, premiações, reprodução e entretenimento.

Agora, porém, é a investigação federal sobre o braço financeiro do grupo que coloca a empresa novamente sob os holofotes.

Investigação continua

A prisão preventiva de Diomar representa um novo avanço da Operação Arena e ocorre pouco mais de um mês depois da primeira ofensiva da Polícia Federal.

A nova etapa concentra medidas em João Pessoa e Campina Grande, incluindo buscas, apreensões e sequestro de patrimônio.

A investigação deverá continuar acompanhando o caminho percorrido pelo dinheiro, as relações entre empresas brasileiras e estrangeiras e as operações envolvendo câmbio e ativos digitais.

Com até R$ 1,1 bilhão em bens e valores alcançados pelas medidas determinadas na primeira fase, o caso coloca a Operação Arena entre as investigações de maior dimensão financeira envolvendo uma empresa brasileira do setor de apostas.

Diomar e os demais citados têm direito à defesa, e as suspeitas investigadas pela Polícia Federal não representam condenação. Até a conclusão das apurações e eventual julgamento, prevalece a presunção de inocência.

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