Tereza Cristina quer presidir o Senado e ser a primeira mulher no comando da Casa

Ex-ministra da Agricultura reafirma interesse na disputa de 2027, relata conversas com Alcolumbre e diz que deseja deixar um legado para as mulheres

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) voltou a manifestar o desejo de disputar a presidência do Senado e se tornar a primeira mulher eleita para comandar a Casa. Em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, nesta segunda-feira (12), a ex-ministra da Agricultura afirmou que já conversou sobre sua pretensão com o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), mas ponderou que a definição dependerá das articulações políticas para a próxima legislatura.

A declaração coloca uma das principais representantes do agronegócio na política nacional no debate sobre o comando do Senado a partir de 2027. Além do significado histórico de uma eventual vitória feminina, a disputa envolve a formação de alianças e a definição de quem conduzirá os trabalhos de uma Casa decisiva para a votação de projetos, mudanças constitucionais e indicações de autoridades.

“Eu sempre disse que gostaria de ser a primeira mulher presidente do Senado”, afirmou a parlamentar.

Tereza Cristina também relacionou esse objetivo ao desejo de deixar uma marca de sua passagem pela instituição, especialmente para as mulheres.

Interesse declarado, mas disputa ainda depende de negociação

Apesar de reafirmar sua intenção, a senadora evitou apresentar a candidatura como uma decisão fechada. Segundo ela, será necessário conversar tanto com os parlamentares que assumirão em 2027 quanto com os atuais integrantes do Senado, considerando também o cenário político após a eleição presidencial.

Ao tratar de Alcolumbre, Tereza Cristina relatou que já comunicou o interesse em sucedê-lo. Entretanto, esclareceu que a possibilidade de uma disputa direta entre os dois ainda não foi discutida.

A parlamentar também reconheceu maior afinidade política com Rogério Marinho (PL-RN), outro senador com pretensões de comandar a Casa. Esse alinhamento indica que as conversas dentro da centro-direita serão relevantes para a construção de uma candidatura, mas não representa uma definição sobre apoio ou desistência.

Um legado para as mulheres na política

Tereza Cristina afirmou que ainda não sabe se buscará outro mandato no Senado. Eleita em 2022, ela integra o grupo de parlamentares com mandato até 2031, conforme os registros oficiais da instituição.

Ao mencionar essa possibilidade, a senadora explicou que gostaria de deixar um legado, principalmente para as mulheres. Se eleita, seria a primeira mulher a ocupar a presidência do Senado, um marco na representação feminina no Legislativo brasileiro.

Por que a disputa interessa ao agronegócio

A trajetória de Tereza Cristina mantém o setor rural próximo dessa discussão. Ex-ministra da Agricultura, ela participa de debates que conectam produção, comércio e decisões legislativas.

Como mostrou o Compre Rural, a parlamentar anunciou, em fevereiro, que seria relatora do acordo entre Mercosul e União Europeia no Senado, defendendo atenção às salvaguardas e aos efeitos do tratado para o Brasil.

Para o produtor, a presidência da Casa tem importância prática porque influencia a organização das votações e o andamento de propostas. Uma eventual eleição de Tereza Cristina ampliaria sua responsabilidade institucional: o cargo exige conduzir os trabalhos de todo o Senado e negociar com diferentes bancadas.

Como será escolhido o próximo presidente do Senado

A próxima eleição da Mesa ocorrerá no início da legislatura de 2027, para um mandato de dois anos. A escolha é feita pelos próprios senadores, em votação secreta. Conforme o procedimento aplicado pela Casa na eleição de 2025, o candidato precisa alcançar ao menos 41 votos, equivalentes à maioria absoluta dos 81 integrantes.

Até lá, a intenção manifestada por Tereza Cristina terá de se transformar em apoio parlamentar suficiente. Sua declaração reafirma o interesse no cargo, enquanto a definição da candidatura permanece vinculada às negociações entre senadores e partidos.

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