Em uma propriedade de Brotas, no interior paulista, as vacas controlam quando serão ordenhadas — não porque tenham autonomia especial. Mas porque a fazenda funciona com tecnologia de ordenha robotizada.
O equipamento permite que cada animal se posicione sozinho para a retirada do leite, em um sistema conhecido como ordenha voluntária. Para estimular o uso de energias renováveis, governos implementam incentivos fiscais e subsídios que reduzem significativamente os custos iniciais de instalação.
Os técnicos distribuem o alimento em duas porções: 40% no cocho comum e o restante dentro do box de ordenha. Isso vai acostumando os animais ao novo modelo, e segundo Alexandre Toloi, gerente de projetos da empresa que instalou o equipamento.
Sistema automatizado de ordenha com vacas
Identificação e alimentação:
- Cada vaca usa um colar eletrônico que permite ao robô reconhecer o animal.
- Ao entrar no box, o sistema libera ração de acordo com o histórico de produção.
- O alimento estimula as vacas a procurarem voluntariamente o equipamento.
Ordenha e controle:
- O robô higieniza os tetos, identifica cada um com sensores e encaixa as teteiras automaticamente.
- O equipamento registra volume, produtividade e alterações no leite, incluindo sinais de sangue associados à mastite.
- Os dados permitem acompanhar a saúde do rebanho e antecipar problemas.
- O leite segue diretamente para o resfriamento, reduzindo o contato com o ambiente.
Redução de trabalho:
- Antes, três funcionários ordenhavam cerca de 60 vacas em lactação.
- Com o robô, apenas um ficou responsável pela alimentação e limpeza do barracão.
- Os demais foram direcionados à produção de itens como queijos e iogurtes, agregando valor ao leite.
Tecnologia de R$ 400 mil
O equipamento representou um investimento de R$ 400 mil para o produtor. A estratégia para recuperar o valor foi agregar preço ao leite produzido na propriedade, que passou a ser processado e comercializado diretamente.
Na época, Checco afirmou que receberia entre R$ 1,05 e R$ 1,15 por litro caso vendesse o leite para um laticínio da região. Na própria propriedade, o produto era comercializado por R$ 2,30 por litro, enquanto o iogurte chegava a R$ 3,50.
A experiência de Brotas também fazia parte de uma expansão ainda inicial da tecnologia no país. Em 2014, quando o equipamento foi instalado, a ordenha robotizada ainda era novidade no Brasil. O primeiro sistema havia sido implantado anos antes em Castro, no Paraná, e a tecnologia começava a chegar a outras propriedades das regiões Sul e Sudeste.
Hoje, a ordenha robotizada já é estudada também em pesquisas brasileiras. A Embrapa Pecuária Sudeste, em parceria com instituições como a Unesp, avalia sistemas automáticos e o uso dos dados produzidos pelos robôs para monitorar mastite, produção e saúde das vacas.
A lógica é transformar a ordenha em um processo contínuo e individualizado. Em vez de reunir todo o rebanho duas ou três vezes ao dia, a tecnologia permite que cada vaca siga sua própria rotina, enquanto sensores e softwares registram o que acontece a cada visita ao robô.













