Uma tecnologia desenvolvida ao longo de décadas pela pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, transformou bactérias do solo em aliadas da agricultura brasileira. O trabalho com fixação biológica de nitrogênio permitiu reduzir a dependência da soja por fertilizantes nitrogenados sintéticos e hoje alcança cerca de 85% da área cultivada com a cultura no Brasil. Em 2026, a relevância desse trabalho levou a cientista para a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time, na categoria Pioneiros.
A Time estima que as tecnologias associadas à pesquisa de Hungria ajudam os produtores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano, valor próximo de R$ 128 bilhões, considerando uma cotação de R$ 5,12 por dólar. A própria publicação também atribui à tecnologia a prevenção de aproximadamente 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em emissões.
Bactéria substitui adubo na cultura de soja
Fixação biológica de nitrogênio:
- A soja precisa de muito nitrogênio para crescer e formar grãos.
- Bactérias do gênero Bradyrhizobium colonizam as raízes e formam nódulos, onde transformam o nitrogênio do ar em compostos aproveitáveis pela planta.
- O processo reduz a necessidade de fertilizantes nitrogenados sintéticos.
- O inoculante custa cerca de US$ 2 a US$ 3 por hectare, contra US$ 30 a US$ 50 da adubação nitrogenada convencional.
Expansão dos bioinsumos:
- Mariangela Hungria participou do desenvolvimento de mais de 30 tecnologias com microrganismos para soja, feijão, milho, trigo, arroz e pastagens.
- Na soja, a inoculação é usada em cerca de 85% da área cultivada, equivalente a mais de 30 milhões de hectares.
- A pesquisadora também participou do desenvolvimento da coinoculação, que combina Bradyrhizobium e Azospirillum brasilense para favorecer a nutrição e o crescimento das plantas.
Impacto para os produtores:
- As tecnologias geram economia estimada em US$ 25 bilhões por ano para agricultores brasileiros.
- A adoção dos bioinsumos teria evitado cerca de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
- Estudo com mais de 3 mil pequenos produtores apontou ganho adicional de US$ 111,50 por hectare por safra com a coinoculação.
- A menor dependência de fertilizantes também reduz a exposição às oscilações de preços desses insumos.
Um lugar de destaque na lista da Time
A entrada na Time ocorreu após outro reconhecimento internacional. Em 2025, Mariangela Hungria recebeu o World Food Prize por suas contribuições à fixação biológica de nitrogênio e ao desenvolvimento de tecnologias que reduzem a dependência de fertilizantes sintéticos. Ela foi a primeira brasileira a receber o prêmio.
Com mais de quatro décadas dedicadas à microbiologia do solo, a cientista ajudou, na Embrapa Soja, em Londrina (PR), a transformar pesquisas com bactérias em tecnologias adotadas comercialmente.
O trabalho também avançou para outras culturas: Azospirillum brasilense já integra tecnologias para milho, trigo e arroz, enquanto novas combinações de microrganismos são estudadas para melhorar o crescimento das plantas e o aproveitamento de nutrientes.













