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Cientista brasileira ajuda produtores de soja a gastar menos com adubo, poupa R$ 128 bilhões por ano e entra na lista da Time

Por Yasmin Henrique
24/08/2026
Cientista brasileira produtores soja gastar

Foto: King Shooter/Pexels

Uma tecnologia desenvolvida ao longo de décadas pela pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, transformou bactérias do solo em aliadas da agricultura brasileira. O trabalho com fixação biológica de nitrogênio permitiu reduzir a dependência da soja por fertilizantes nitrogenados sintéticos e hoje alcança cerca de 85% da área cultivada com a cultura no Brasil. Em 2026, a relevância desse trabalho levou a cientista para a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time, na categoria Pioneiros.

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A Time estima que as tecnologias associadas à pesquisa de Hungria ajudam os produtores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano, valor próximo de R$ 128 bilhões, considerando uma cotação de R$ 5,12 por dólar. A própria publicação também atribui à tecnologia a prevenção de aproximadamente 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em emissões.

Bactéria substitui adubo na cultura de soja

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Fixação biológica de nitrogênio:

  • A soja precisa de muito nitrogênio para crescer e formar grãos.
  • Bactérias do gênero Bradyrhizobium colonizam as raízes e formam nódulos, onde transformam o nitrogênio do ar em compostos aproveitáveis pela planta.
  • O processo reduz a necessidade de fertilizantes nitrogenados sintéticos.
  • O inoculante custa cerca de US$ 2 a US$ 3 por hectare, contra US$ 30 a US$ 50 da adubação nitrogenada convencional.

Expansão dos bioinsumos:

  • Mariangela Hungria participou do desenvolvimento de mais de 30 tecnologias com microrganismos para soja, feijão, milho, trigo, arroz e pastagens.
  • Na soja, a inoculação é usada em cerca de 85% da área cultivada, equivalente a mais de 30 milhões de hectares.
  • A pesquisadora também participou do desenvolvimento da coinoculação, que combina Bradyrhizobium e Azospirillum brasilense para favorecer a nutrição e o crescimento das plantas.

Impacto para os produtores:

  • As tecnologias geram economia estimada em US$ 25 bilhões por ano para agricultores brasileiros.
  • A adoção dos bioinsumos teria evitado cerca de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
  • Estudo com mais de 3 mil pequenos produtores apontou ganho adicional de US$ 111,50 por hectare por safra com a coinoculação.
  • A menor dependência de fertilizantes também reduz a exposição às oscilações de preços desses insumos.

Um lugar de destaque na lista da Time

A entrada na Time ocorreu após outro reconhecimento internacional. Em 2025, Mariangela Hungria recebeu o World Food Prize por suas contribuições à fixação biológica de nitrogênio e ao desenvolvimento de tecnologias que reduzem a dependência de fertilizantes sintéticos. Ela foi a primeira brasileira a receber o prêmio.

Com mais de quatro décadas dedicadas à microbiologia do solo, a cientista ajudou, na Embrapa Soja, em Londrina (PR), a transformar pesquisas com bactérias em tecnologias adotadas comercialmente. 

O trabalho também avançou para outras culturas: Azospirillum brasilense já integra tecnologias para milho, trigo e arroz, enquanto novas combinações de microrganismos são estudadas para melhorar o crescimento das plantas e o aproveitamento de nutrientes.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Sou uma jovem de 20 anos que cursa jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita, sempre adorei a ideia de informar as pessoas e meus textos fazerem a diferença na vida de alguém. Ainda estou começando na trilha profissional, mas planejo alcançar muita coisa. Quando não estou estudando, sou redatora do Consulta Pública.

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