A saca de 50 quilos de arroz em casca negociada no Rio Grande do Sul passou de R$ 60,33 em 1º de julho para R$ 73,60 em 13 de agosto, uma valorização de 22% em pouco mais de um mês. E a alta não parou por aí. Segundo o indicador Cepea/Irga, a saca chegou a R$ 78,06 em 28 de agosto, acumulando alta de 13,74% no mês.
O movimento começa a preocupar o mercado porque o Rio Grande do Sul responde por cerca de 70% da produção brasileira de arroz. Com a valorização na origem, aumenta a possibilidade de pressão sobre os preços pagos pelos consumidores, embora o repasse não seja imediato. A indústria e o varejo trabalham com estoques comprados anteriormente, o que pode fazer o aumento chegar às prateleiras com atraso de até dois meses.
Entressafra reduz oferta disponível
A alta ocorre em um momento de menor oferta de arroz no mercado. Com o fim da colheita, a entrada de novos lotes diminui, enquanto a indústria precisa repor os estoques. A disputa pelos volumes disponíveis ajuda a sustentar as cotações.
- Próxima safra: o mercado também já considera uma possível redução da produção brasileira em 2026/27 e uma menor disponibilidade de arroz no Mercosul. A perspectiva de oferta mais enxuta contribui para a valorização do grão.
- Preços em alta: o movimento aparece nos dados do Cepea. A média semanal da saca passou de R$ 68,02 entre 27 e 31 de julho para R$ 77,13 entre 24 e 28 de agosto, alta de aproximadamente 13,4% em quatro semanas.
Exportações pressionam oferta interna
- Mercado externo: as exportações também ajudam a sustentar os preços. Mesmo com a redução dos embarques em julho, o Brasil acumulou 1,2 milhão de toneladas exportadas desde janeiro, 25% acima do registrado no mesmo período de 2025.
- Dólar: a valorização da moeda americana aumenta a competitividade do arroz brasileiro no exterior, tornando as vendas internacionais mais atrativas para os produtores e exportadores.
- Menor oferta doméstica: com parte da produção destinada ao mercado externo, a indústria brasileira precisa disputar os lotes que permanecem disponíveis internamente. O efeito ganha força durante a entressafra, quando a oferta naturalmente diminui.
Além da oferta atual, o mercado já acompanha as condições para a próxima temporada. A possibilidade de ocorrência de El Niño elevou a percepção de risco sobre a produção e passou a influenciar as expectativas para 2026/27. O fenômeno pode alterar o regime de chuvas e aumentar a incerteza sobre o desempenho das lavouras.
Pressão de compradores sobre o preço do arroz
Para o Itaú BBA, esse cenário climático é mais um elemento que pode sustentar os preços, principalmente se vier acompanhado de uma produção menor e de estoques de passagem reduzidos.
O mercado externo é outro componente dessa equação. Mesmo com a redução dos embarques em julho, o Brasil acumulou 1,2 milhão de toneladas de arroz exportadas desde janeiro, volume 25% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A valorização do dólar tornou o produto brasileiro mais competitivo no exterior e ajudou a sustentar as cotações internas.
Na prática, uma parcela maior da produção encontra compradores fora do país, enquanto a indústria brasileira disputa o produto que permanece disponível internamente. Esse movimento ganha importância justamente durante a entressafra, quando os estoques ficam mais restritos.
Alta pode chegar ao supermercado
A valorização de 22% na saca não significa aumento equivalente no pacote de arroz. Entre o produtor e o consumidor estão custos de beneficiamento, embalagem, transporte, distribuição e varejo. O repasse ocorre gradualmente, conforme os estoques mais baratos são substituídos por lotes adquiridos a preços maiores, processo que pode levar até dois meses.
Nos próximos meses, os preços dependerão principalmente de estoques, exportações e ritmo de venda dos produtores. Se a oferta continuar restrita e a próxima safra apresentar produção menor, a valorização na origem poderá avançar pela cadeia e chegar às prateleiras.













