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Saca de arroz salta de R$ 60 para R$ 73 em um mês, e alta começa a ameaçar o preço no supermercado

Por Yasmin Henrique
01/09/2026
Saca arroz salta mês alta

Foto: cottonbro studio/Pexels

A saca de 50 quilos de arroz em casca negociada no Rio Grande do Sul passou de R$ 60,33 em 1º de julho para R$ 73,60 em 13 de agosto, uma valorização de 22% em pouco mais de um mês. E a alta não parou por aí. Segundo o indicador Cepea/Irga, a saca chegou a R$ 78,06 em 28 de agosto, acumulando alta de 13,74% no mês.

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O movimento começa a preocupar o mercado porque o Rio Grande do Sul responde por cerca de 70% da produção brasileira de arroz. Com a valorização na origem, aumenta a possibilidade de pressão sobre os preços pagos pelos consumidores, embora o repasse não seja imediato. A indústria e o varejo trabalham com estoques comprados anteriormente, o que pode fazer o aumento chegar às prateleiras com atraso de até dois meses.

Entressafra reduz oferta disponível

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A alta ocorre em um momento de menor oferta de arroz no mercado. Com o fim da colheita, a entrada de novos lotes diminui, enquanto a indústria precisa repor os estoques. A disputa pelos volumes disponíveis ajuda a sustentar as cotações.

  • Próxima safra: o mercado também já considera uma possível redução da produção brasileira em 2026/27 e uma menor disponibilidade de arroz no Mercosul. A perspectiva de oferta mais enxuta contribui para a valorização do grão.
  • Preços em alta: o movimento aparece nos dados do Cepea. A média semanal da saca passou de R$ 68,02 entre 27 e 31 de julho para R$ 77,13 entre 24 e 28 de agosto, alta de aproximadamente 13,4% em quatro semanas.

Exportações pressionam oferta interna

  • Mercado externo: as exportações também ajudam a sustentar os preços. Mesmo com a redução dos embarques em julho, o Brasil acumulou 1,2 milhão de toneladas exportadas desde janeiro, 25% acima do registrado no mesmo período de 2025.
  • Dólar: a valorização da moeda americana aumenta a competitividade do arroz brasileiro no exterior, tornando as vendas internacionais mais atrativas para os produtores e exportadores.
  • Menor oferta doméstica: com parte da produção destinada ao mercado externo, a indústria brasileira precisa disputar os lotes que permanecem disponíveis internamente. O efeito ganha força durante a entressafra, quando a oferta naturalmente diminui.

Além da oferta atual, o mercado já acompanha as condições para a próxima temporada. A possibilidade de ocorrência de El Niño elevou a percepção de risco sobre a produção e passou a influenciar as expectativas para 2026/27. O fenômeno pode alterar o regime de chuvas e aumentar a incerteza sobre o desempenho das lavouras.

Pressão de compradores sobre o preço do arroz

Para o Itaú BBA, esse cenário climático é mais um elemento que pode sustentar os preços, principalmente se vier acompanhado de uma produção menor e de estoques de passagem reduzidos.

O mercado externo é outro componente dessa equação. Mesmo com a redução dos embarques em julho, o Brasil acumulou 1,2 milhão de toneladas de arroz exportadas desde janeiro, volume 25% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A valorização do dólar tornou o produto brasileiro mais competitivo no exterior e ajudou a sustentar as cotações internas.

Na prática, uma parcela maior da produção encontra compradores fora do país, enquanto a indústria brasileira disputa o produto que permanece disponível internamente. Esse movimento ganha importância justamente durante a entressafra, quando os estoques ficam mais restritos.

Alta pode chegar ao supermercado

A valorização de 22% na saca não significa aumento equivalente no pacote de arroz. Entre o produtor e o consumidor estão custos de beneficiamento, embalagem, transporte, distribuição e varejo. O repasse ocorre gradualmente, conforme os estoques mais baratos são substituídos por lotes adquiridos a preços maiores, processo que pode levar até dois meses.

Nos próximos meses, os preços dependerão principalmente de estoques, exportações e ritmo de venda dos produtores. Se a oferta continuar restrita e a próxima safra apresentar produção menor, a valorização na origem poderá avançar pela cadeia e chegar às prateleiras.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Sou uma jovem de 20 anos que cursa jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita, sempre adorei a ideia de informar as pessoas e meus textos fazerem a diferença na vida de alguém. Ainda estou começando na trilha profissional, mas planejo alcançar muita coisa. Quando não estou estudando, sou redatora do Consulta Pública.

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