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Estudo estima que quase metade dos agricultores do mundo sofre intoxicação por agrotóxicos ao menos uma vez por ano

Por Yasmin Henrique
03/09/2026
Estudo estima quase metade agricultores

Foto: Gilmer Diaz Estela/Pexels

A intoxicação por agrotóxicos atinge anualmente 46% dos 934 milhões de agricultores e trabalhadores rurais em todo o mundo, um problema que já resulta em cerca de 11 mil mortes por ano, das quais 60% estão concentradas somente na Índia. 

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Esses dados integram uma pesquisa global publicada em 2 de setembro de 2026 na revista científica Frontiers in Public Health. Com base em informações coletadas entre 2006 e 2023, o estudo classifica o fenômeno como uma crise silenciosa de saúde ocupacional, que afeta praticamente metade da população agrícola do planeta.

intoxicação por agrotóxicos
46%
proporção anual de agricultores afetados mundialmente
934 milhões
número de agricultores e trabalhadores rurais no mundo
11 mil
mortes anuais por intoxicação por agrotóxicos
60%
percentual das mortes concentradas na Índia
26%
prevalência estimada no Brasil de intoxicação aguda não fatal
44,5%
média sul-americana de prevalência anual

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A intoxicação aguda por pesticidas produz manifestações variadas conforme o tipo de produto, dose, via de exposição e tempo até o atendimento médico. Entre os efeitos descritos está dor de cabeça, tontura, náuseas, vômitos, irritação da pele e dos olhos, dificuldades respiratórias, tremores, dores abdominais, alterações neurológicas e quadros graves que podem resultar em morte.

Intoxicação por agrotóxicos na população agrícola global

A intoxicação por agrotóxicos não afeta todos os países da mesma forma. Segundo a pesquisa, a Ásia Meridional concentra o maior número estimado de casos não fatais, seguida pelo Sudeste Asiático e pela África Oriental.

Em alguns países, a situação é especialmente crítica. A prevalência anual estimada entre a população agrícola ocupacional chega a:

  1. 83,8% em Burkina Faso
  2. 82,0% no Kuwait
  3. 78,0% no Malawi
  4. 73,6% na Índia
  5. 70,8% na Tanzânia

Outros países também registram taxas elevadas, como Nigéria (69,0%), Colômbia (68,5%), Uganda (66,0%), Irã (65,0%), Indonésia (62,3%), Camboja (62,0%) e Venezuela (62,0%).

O cenário brasileiro

No Brasil, a prevalência estimada de intoxicação aguda não fatal por agrotóxicos entre trabalhadores rurais é de 26% ao ano; percentual inferior à média sul-americana, de 44,5%. Isso coloca o país entre os que apresentam menor prevalência na região.

Para efeito de comparação:

  • Argentina: 47,4%
  • Bolívia: 45,7%
  • Chile: 17,6%
  • Venezuela: 62,0%

Especialistas, no entanto, alertam que os dados brasileiros podem refletir, na verdade, limitações na cobertura e na qualidade das notificações nacionais. Um ponto já destacado pelos próprios autores do estudo ao discutirem a construção dessas estimativas.

Por que os números podem estar subestimados

Os dados disponíveis são insuficientes para produzir estimativas totalmente robustas e comparáveis entre países, segundo os autores da pesquisa. Registros de mortalidade, hospitais e centros de informação toxicológica frequentemente não estão integrados, e muitos episódios de intoxicação jamais chegam ao sistema de saúde.

A subnotificação ocorre também porque sintomas leves não necessariamente levam o trabalhador ao hospital ou são reconhecidos como envenenamento por agrotóxico.

Há ainda um problema específico em países com grande volume de trabalho informal ou agricultura de subsistência: o cálculo da população agrícola utilizado é baseado em dados do Banco Mundial e pode deixar essas pessoas de fora. Segundo os pesquisadores, isso torna as estimativas provavelmente conservadoras.

Lacunas e metologia

A pesquisa também não avaliou os impactos de longo prazo da exposição contínua a pesticidas, nem o risco enfrentado pelas 84 milhões de crianças que trabalham na agricultura em todo o mundo. Para especialistas, essa é uma omissão preocupante, uma vez que a exposição cumulativa e crônica é justamente a que provoca os danos mais severos à saúde dos trabalhadores e de suas comunidades.

Este estudo é uma atualização de uma pesquisa publicada em 2020, que já estimava 385 milhões de intoxicações agudas não intencionais por ano — ou cerca de 44% dos agricultores da época. Diante das críticas metodológicas, os autores ampliaram a base de dados e incluíram análises de sensibilidade adicionais.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Sou uma jovem de 20 anos que cursa jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita, sempre adorei a ideia de informar as pessoas e meus textos fazerem a diferença na vida de alguém. Ainda estou começando na trilha profissional, mas planejo alcançar muita coisa. Quando não estou estudando, sou redatora do Consulta Pública.

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