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Homem que trabalhava no campo para agricultura familiar faleceu em 1978 e só agora, 48 anos depois, a filha ganhou direito à pensão por morte

Por Yasmin Henrique
16/09/2026
Homem trabalhava campo agricultura familiar

Foto: reprodução/Magnific

Quase cinco décadas depois da morte do pai, uma mulher com deficiência intelectual grave teve reconhecido pela Justiça o direito à pensão por morte. O trabalhador rural morreu em 1978, e a 2ª Vara Federal de Dourados (MS) determinou que o INSS implante o benefício e pague as parcelas atrasadas desde o óbito.

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A decisão considerou que a filha era incapaz de prover o próprio sustento e que essa condição existia desde a infância. O benefício havia sido negado administrativamente pelo INSS, que questionava a comprovação de que a deficiência já existia antes da maioridade.

Perícia comprovou deficiência e trabalho rural

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A perícia judicial apontou retardo do desenvolvimento mental grave, incapacidade permanente para o trabalho e necessidade de auxílio de terceiros nas atividades cotidianas. O laudo também registrou que ela nunca exerceu profissão devido à deficiência. 

A Justiça considerou que não havia provas de autonomia econômica e reconheceu sua condição de dependente, prevista para filhos inválidos ou com deficiência intelectual, mental ou grave.

A condição previdenciária do pai também foi comprovada por certidão de casamento, documento de posse de imóvel rural, registros do antigo Funrural, processo administrativo e depoimentos de testemunhas. O conjunto demonstrou que ele trabalhava na agricultura familiar em regime de subsistência antes de morrer.

Direito baseado em legislação anterior

A decisão se amparou no artigo 16, inciso I e parágrafo 4º, da Lei 8.213/1991, que presume a dependência econômica de filhos inválidos ou com deficiência intelectual grave. Além disso, o magistrado aplicou a Lei Complementar 11/1971, norma do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural (Prorural) que ainda estava vigente à época da morte. 

A lei reconhecia direitos adquiridos com base em fatos geradores ocorridos durante sua vigência. Isso ocorre porque, pelo antigo Prorural, criado pela Lei Complementar 16/1973, o pagamento da pensão rural começava a contar já na data em que o segurado morria.

Linha do tempo
Pensão por morte do agricultor
1973
Criação do antigo Prorural pela Lei Complementar 16/1973 (mencionada como base do regime antigo).
1978
Morte do trabalhador rural (pai da requerente).
vigência da Lei Complementar 11/1971
Aplicação da norma do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural (Prorural) que ainda estava vigente à época da morte, reconhecendo direitos adquiridos com base em fatos geradores ocorridos durante sua vigência.
desde a infância
Condição de incapacidade da filha existia desde a infância (mencionado como fato considerado pela Justiça).
quase cinco décadas depois da morte do pai
Reconhecimento pela Justiça do direito da mulher com deficiência intelectual grave à pensão por morte e determinação para que o INSS implante o benefício e pague parcelas atrasadas desde o óbito.
em até 45 dias
Prazo determinado para o INSS implantar a pensão após o reconhecimento do direito.

INSS terá 45 dias para implantar benefício

Com o reconhecimento do direito, o INSS foi condenado a implantar a pensão em até 45 dias e pagar as parcelas atrasadas referentes ao período reconhecido na sentença.

O valor total da dívida não foi informado na decisão divulgada pela Justiça Federal. Como a sentença foi proferida em primeira instância, o INSS ainda pode recorrer.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Sou uma jovem de 20 anos que cursa jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita, sempre adorei a ideia de informar as pessoas e meus textos fazerem a diferença na vida de alguém. Ainda estou começando na trilha profissional, mas planejo alcançar muita coisa. Quando não estou estudando, sou redatora do Consulta Pública.

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