Representantes do Brasil e dos Estados Unidos terão, entre 30 de setembro e 1º de outubro, o primeiro encontro presencial desde a retomada formal das negociações sobre as tarifas que atingem produtos brasileiros.
A reunião será realizada em Milwaukee, durante a agenda preparatória do G20, e deve concentrar esforços na busca por uma saída para o impasse comercial entre os dois países.
Pelo lado brasileiro, participarão das conversas Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores.
A delegação americana será liderada por Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos (USTR).
Segundo Rosa, as equipes técnicas dos dois governos já mantêm contato e trabalham na troca de documentos e na organização dos procedimentos necessários para as negociações.
Até a realização do encontro, porém, nenhum acordo havia sido concluído.
O que está em disputa nas negociações
A administração Trump determinou uma sobretaxa sobre produtos brasileiros após investigação formal da USTR.
A investigação apontou práticas comerciais e regulatórias que a USTR considera desleais. Entre as críticas estão as barreiras ao etanol norte-americano, o funcionamento do Pix e restrições a plataformas de redes sociais.
A controvérsia também envolve tributação digital, combate ao desmatamento ilegal, corrupção e proteção da propriedade intelectual.
O Brasil recusa as exigências americanas de exclusividade comercial e busca uma negociação que preserve sua autonomia regulatória.
Uma análise econômica estima que uma tarifa de 50% poderia reduzir em cerca de 28% as exportações brasileiras para os Estados Unidos e afetar o fluxo comercial bilateral.
Greer, que foi chefe de equipe no USTR durante o primeiro governo Trump sob liderança de Robert Lightizer, lidera agora as pressões por mudanças nas políticas brasileiras.
Expectativas para o encontro
A agenda brasileira no G20 incluirá múltiplas conversas bilaterais com outros participantes.
O foco principal, porém, será a relação com Washington e a possibilidade concreta de reduzir as tarifas impostas às exportações nacionais.
Rosa reiterou que flexibilizar as sobretaxas é o objetivo central da delegação brasileira no encontro presencial.













