O ronco dos motores a diesel, tradicionalmente associado ao trabalho no campo, começa a dividir espaço com um som muito mais discreto.
Em fazendas dos Estados Unidos, tratores elétricos avançam entre lavouras e pomares praticamente sem ruído, enquanto sistemas de automação assumem parte das tarefas que durante décadas dependeram exclusivamente de operadores.
A combinação entre propulsão elétrica, sensores e robótica cria uma nova geração de máquinas agrícolas.
Além de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, os equipamentos podem atuar em diferentes etapas da produção, do preparo do solo ao controle de plantas invasoras e à colheita.
A mudança também abre espaço para uma nova forma de administrar as operações. Em vez de acompanhar individualmente cada máquina, um trabalhador pode supervisionar diferentes equipamentos por meio de uma interface digital.
A revolução começou na Califórnia
Os tratores elétricos têm origem no norte da Califórnia, uma região marcada por tradição agrícola e inovação tecnológica. A Solectrac, sediada no Condado de Sonoma, lançou o primeiro modelo em 2017.
Apesar de um início lento, com cerca de duas dúzias de veículos vendidos nos primeiros quatro anos.
As vendas ganharam impulso no ano passado, estimuladas por subsídios estaduais e aumento da capacidade de fabricação.
O desenvolvimento de tratores elétricos ficou atrás da indústria de veículos elétricos, que democratizou a produção de baterias de lítio, motores e componentes de energia.
A Monarch Tractor, fundada em 2018 a menos de uma hora da fábrica da Tesla em Fremont, aproveitou essa base de manufatura já estabelecida na região.
Tecnologia autônoma reduz emissões drasticamente
Eliminar emissões é o principal atrativo de qualquer veículo elétrico. Um trator a diesel emite volumes de carbono e material particulado equivalentes aos de 14 carros.
Trocar uma única unidade por uma versão elétrica amplia esse impacto, sem qualquer perda de produtividade.
A bateria consegue manter o trator em funcionamento por até 14 horas com uma carga de 5,5 horas, considerando que as fazendas geralmente dispõem de tomadas de 220 volts.
O modelo Mark-V da Monarch, compacto e equipado com câmeras sensoriais e interface totalmente digital, incorpora tecnologia autônoma.
O trator dispensa motorista, pode ser programado para operações automáticas e guiado remotamente por campos e pomares.
Pode pulverizar, arar e gradear, ou simplesmente seguir trabalhadores entre as fileiras de cultivos, carregando suprimentos ou colhendo a safra.
Automação enfrenta escassez de mão de obra
Em um setor afetado pela falta de trabalhadores e pelo envelhecimento da força de trabalho, essa tecnologia pode preencher vagas que, de outra forma, ficariam abertas.
Com os recursos autônomos, uma única pessoa pode controlar uma frota de tratores por uma tela e supervisionar várias tarefas espalhadas pela propriedade.
A automação também pode livrar trabalhadores do trabalho em condições climáticas adversas e incentivar os produtores a adotar práticas mais verdes. Quando a capina não tem custo, o controle de plantas invasoras exige menos pulverização.
Vinhedos já incorporam as novas máquinas
A Coastal Vineyard Care Associates, empresa de gestão de vinhedos em Santa Bárbara, adicionou 18 tratores elétricos à sua frota de 40 máquinas a diesel, aproveitando a economia de combustível e recursos como visão noturna para trabalhos que se estendem além do pôr do sol.
Embora a capacidade de carga seja limitada em comparação com implementos mais pesados.
A redução da poluição sonora, em vez do rugido de motores diesel, a máquina apenas ronrona, agrada tanto à operação quanto às comunidades vizinhas.













