Em uma pequena estrutura de cimento coberta por uma tela, Mari Choumumba encontrou uma alternativa para continuar produzindo depois que a seca comprometeu as plantações de milho.
No local, resíduos orgânicos em decomposição servem de alimento para larvas de mosca, que posteriormente são utilizadas como fonte de proteína para as galinhas criadas pela agricultora em Nyangambe, no sudeste do Zimbábue.
A atividade, que hoje representa uma nova fonte de renda, começou cercada de desconfiança.
Há cerca de um ano, Choumumba e outros moradores da comunidade associavam as moscas à transmissão de doenças, principalmente após sucessivos surtos de cólera registrados no país.
A proposta de criar larvas para alimentar animais veio de especialistas do governo e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). A princípio, a ideia provocou resistência entre os agricultores.
A transformação da criação de larvas
Uma vez por mês, Choumumba colhe as larvas e as transforma em proteína concentrada para alimentar as galinhas de pasto que cria e cuja carne consome e vende.
A mudança reduz os gastos: nas zonas rurais, a ração comercial respondia por até 80% dos custos de produção de frangos.
Uma saca de 50 quilogramas custava 35 dólares nas lojas, valor proibitivo para a maioria dos pequenos criadores.
Criação reduz gastos com alimentação
Com a criação de larvas, os custos caem em 40%, segundo Francis Makura, especialista em programas da USAID voltados para expandir fontes de renda de agricultores afetados pela mudança climática.
O método também produz adubo de qualidade para hortas, multiplicando os ganhos de quem adota a técnica.
A larva da mosca-soldado-negra, diferente da mosca-doméstica, completa seu ciclo de vida em poucas semanas e se alimenta de resíduos orgânicos apodrecidos, convertendo lixo em proteína animal viável.
Uma solução para a resiliência agrícola
A criação de larvas surge como resposta concreta à insegurança alimentar agravada pela seca persistente.
Agricultores que abandonaram a prática inicial, assustados com o preconceito ou céticos quanto ao resultado, agora retornam ao método após ver resultados nos rebanhos alheios.
O ganho econômico supera o incômodo psicológico inicial e transforma o nojo em lucro.
A prática também permite que comunidades inteiras recuperem formas ancestrais de alimentação animal adaptadas ao cenário climático contemporâneo.













