O preço da laranja acumulou uma queda de quase 67% no Brasil em dois anos, passando de R$ 92,92 por caixa de 40 quilos, em outubro de 2024, para R$ 31,30 em setembro de 2026.
A forte desvalorização ocorre após a recuperação gradual da oferta, mas também revela um problema que vai além das lavouras: a retração da demanda mundial por suco.
A trajetória dos preços acompanha a recuperação dos pomares depois de uma das safras mais prejudicadas dos últimos anos.
No ciclo 2024/2025, o cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo Mineiro produziu cerca de 232 milhões de caixas, volume 24% inferior ao registrado na temporada anterior.
O desempenho foi afetado principalmente pela combinação de seca e temperaturas elevadas.
Além de reduzir a produtividade, as condições climáticas comprometeram a qualidade dos frutos, que apresentaram problemas como murchamento e queimaduras na casca, dificultando a comercialização.
Crise mais profunda na cadeia de sucos
A queda no preço da fruta não aliviou o consumidor. A demanda global por suco caiu entre 30% e 40%, segundo o diretor executivo da Citrus BR em declaração ao Canal Rural.
Enquanto isso, o preço do produto engarrafado subiu e continuou elevado, mesmo após a queda da matéria-prima. Os consumidores passaram a limitar o quanto estão dispostos a pagar.
Desde janeiro de 2025, os preços do suco e da laranja vêm caindo no atacado. Mas engarrafadores e varejistas retêm os descontos na tentativa de recuperar margens perdidas nos anos anteriores.
O varejo começa a pressionar por reduções, o que cria a expectativa de que esses ganhos cheguem ao consumidor final e reanimem a demanda.
Varejo começa a pressionar por preços menores
Engarrafadores e varejistas mantiveram preços mais altos em uma tentativa de recuperar as margens perdidas durante o período de forte valorização da laranja.
O comportamento, porém, encontra um limite no consumidor. Com o suco mais caro, parte do público passou a restringir o consumo ou a estabelecer um valor máximo que está disposto a pagar pela bebida.
Agora, o varejo começa a pressionar a indústria por reduções nos preços. A expectativa é que a queda acumulada da matéria-prima seja gradualmente repassada ao consumidor.













