Mais de quatro décadas depois de sua instalação, um conjunto de estruturas feitas com pneus e concreto continua servindo de abrigo para peixes, lagostas e outros organismos marinhos no litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos.
O Recife Artificial de Yarmouth ocupa uma área de cerca de 127 acres no Nantucket Sound e hoje abriga espécies como black sea bass, scup, tautog, lagostas, mexilhões, lulas e até tubarões.
O local foi criado justamente onde havia pouca estrutura no fundo do mar. A região do Nantucket Sound é predominantemente arenosa, e a proposta era criar pontos de relevo que oferecessem abrigo, alimentação e áreas de reprodução para organismos marinhos.
De pneus descartados a recife artificial
A história começou em 1978, quando o Departamento de Recursos Naturais de Yarmouth, com apoio da Divisão de Pesca Marinha de Massachusetts, implantou o primeiro recife artificial desse tipo autorizado no estado.
Os módulos reuniam três a cinco pneus preenchidos com concreto e presos em conjuntos. Cerca de 1.500 unidades foram instaladas naquele ano. Em 1994, outras 1.000 foram acrescentadas, chegando a aproximadamente 2.500 módulos.
A estrutura passou a ser ocupada gradualmente pela vida marinha. Monitoramentos utilizaram mergulho, sonar de varredura lateral e câmeras subaquáticas para acompanhar as estruturas e os organismos presentes.
Um estudo realizado em 2019 comparou o Recife de Yarmouth com um trecho de fundo arenoso sem estruturas e com recifes naturais, avaliando diferenças na diversidade e abundância de peixes.
Entre as espécies registradas estão:
- Black sea bass e scup;
- Lagostas e mexilhões;
- Lulas e caranguejos;
- Tautog e winter flounder;
- Cães-do-mar e tubarão-tigre-da-areia.
Em 2020, mais de 2.210 jardas cúbicas de materiais foram depositadas no local. Ao todo, mais de 17 mil toneladas de materiais reaproveitados já foram utilizadas para ampliar o habitat estruturado.
Quando o mesmo plano deu errado
Na Flórida, o chamado Osborne Reef teve resultado muito diferente. Mais de um milhão de pneus foram lançados no oceano na década de 1970 com a intenção de criar um recife artificial.
Os pneus não permaneceram presos ao fundo e acabaram se deslocando com a ação do mar. Em vez de formar um habitat estável, espalharam-se pelo fundo oceânico e passaram a representar um problema ambiental, atingindo inclusive áreas de recifes naturais.
A diferença entre os projetos está principalmente na estabilidade das estruturas, no planejamento do local e no monitoramento. Em Yarmouth, os módulos permaneceram relativamente estáveis e foram colonizados por diferentes espécies. Na Flórida, os pneus se transformaram em detritos móveis e exigiram operações de remoção.













