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Em 1978, a humanidade jogou esses objetos no mar e hoje, eles são casa de peixes, lagostas e outras espécies

Por Yasmin Henrique
17/09/2026
Humanidade jogou objetos mar hoje

Foto: divulgação/Departamento de Recursos Naturais de Yarmouth

Mais de quatro décadas depois de sua instalação, um conjunto de estruturas feitas com pneus e concreto continua servindo de abrigo para peixes, lagostas e outros organismos marinhos no litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos. 

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O Recife Artificial de Yarmouth ocupa uma área de cerca de 127 acres no Nantucket Sound e hoje abriga espécies como black sea bass, scup, tautog, lagostas, mexilhões, lulas e até tubarões.

O local foi criado justamente onde havia pouca estrutura no fundo do mar. A região do Nantucket Sound é predominantemente arenosa, e a proposta era criar pontos de relevo que oferecessem abrigo, alimentação e áreas de reprodução para organismos marinhos.

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De pneus descartados a recife artificial

A história começou em 1978, quando o Departamento de Recursos Naturais de Yarmouth, com apoio da Divisão de Pesca Marinha de Massachusetts, implantou o primeiro recife artificial desse tipo autorizado no estado.

Os módulos reuniam três a cinco pneus preenchidos com concreto e presos em conjuntos. Cerca de 1.500 unidades foram instaladas naquele ano. Em 1994, outras 1.000 foram acrescentadas, chegando a aproximadamente 2.500 módulos.

A estrutura passou a ser ocupada gradualmente pela vida marinha. Monitoramentos utilizaram mergulho, sonar de varredura lateral e câmeras subaquáticas para acompanhar as estruturas e os organismos presentes.

Um estudo realizado em 2019 comparou o Recife de Yarmouth com um trecho de fundo arenoso sem estruturas e com recifes naturais, avaliando diferenças na diversidade e abundância de peixes. 

Entre as espécies registradas estão:

  • Black sea bass e scup;
  • Lagostas e mexilhões;
  • Lulas e caranguejos;
  • Tautog e winter flounder;
  • Cães-do-mar e tubarão-tigre-da-areia.
Apesar de ter começado com pneus, o Yarmouth Reef continuou recebendo novos materiais. A partir de 2014, as autoridades retomaram as instalações e passaram a utilizar estruturas como blocos de granito, concreto e pesos de embarcações da Guarda Costeira.

Em 2020, mais de 2.210 jardas cúbicas de materiais foram depositadas no local. Ao todo, mais de 17 mil toneladas de materiais reaproveitados já foram utilizadas para ampliar o habitat estruturado.

Linha do tempo
Linha do tempo do Recife Artificial de Yarmouth e eventos relacionados
1978
O Departamento de Recursos Naturais de Yarmouth, com apoio da Divisão de Pesca Marinha de Massachusetts, implantou o primeiro recife artificial desse tipo autorizado no estado; cerca de 1.500 unidades foram instaladas na
1994
Outras 1.000 unidades foram acrescentadas ao Recife de Yarmouth, chegando a aproximadamente 2.500 módulos.
2014
A partir de 2014, as autoridades retomaram as instalações no Yarmouth Reef e passaram a utilizar estruturas como blocos de granito, concreto e pesos de embarcações da Guarda Costeira.
2019
Um estudo realizado em 2019 comparou o Recife de Yarmouth com um trecho de fundo arenoso sem estruturas e com recifes naturais, avaliando diferenças na diversidade e abundância de peixes.
2020
Em 2020, mais de 2.210 jardas cúbicas de materiais foram depositadas no local.
Mais de quatro décadas depois de sua instalação
O conjunto de estruturas feitas com pneus e concreto continua servindo de abrigo para peixes, lagostas e outros organismos marinhos no litoral de Massachusetts, ocupando uma área de cerca de 127 acres no Nantucket Sound.

Quando o mesmo plano deu errado

Na Flórida, o chamado Osborne Reef teve resultado muito diferente. Mais de um milhão de pneus foram lançados no oceano na década de 1970 com a intenção de criar um recife artificial.

Os pneus não permaneceram presos ao fundo e acabaram se deslocando com a ação do mar. Em vez de formar um habitat estável, espalharam-se pelo fundo oceânico e passaram a representar um problema ambiental, atingindo inclusive áreas de recifes naturais.

A diferença entre os projetos está principalmente na estabilidade das estruturas, no planejamento do local e no monitoramento. Em Yarmouth, os módulos permaneceram relativamente estáveis e foram colonizados por diferentes espécies. Na Flórida, os pneus se transformaram em detritos móveis e exigiram operações de remoção.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Sou uma jovem de 20 anos que cursa jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita, sempre adorei a ideia de informar as pessoas e meus textos fazerem a diferença na vida de alguém. Ainda estou começando na trilha profissional, mas planejo alcançar muita coisa. Quando não estou estudando, sou redatora do Consulta Pública.

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