O ovo brasileiro consegue atravessar milhares de quilômetros até mercados como Vietnã e Chile sem que a maior parte da carga seja perdida pelo caminho. O segredo não está apenas na resistência natural da casca, mas em uma cadeia de transporte que combina embalagem, acomodação, controle de temperatura e cuidado contra vibrações e impactos.
Em agosto, o Brasil exportou 2,322 mil toneladas de ovos, entre produtos in natura e processados, alta de 9,1% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita, porém, caiu 15%, para US$ 4,868 milhões. No acumulado de janeiro a agosto, foram 19,982 mil toneladas, queda de 38,1% na comparação anual.
A casca é forte, mas não viaja sozinha
Resistência e embalagem:
- Casca: sua estrutura curva ajuda a distribuir a pressão e dá resistência ao ovo, mas não elimina o risco de trincas causadas por impactos e vibrações durante o transporte.
- Bandejas: mantêm cada unidade separada e reduzem o contato entre os ovos. Também ajudam a distribuir as forças recebidas pela carga.
- Caixas: funcionam como uma proteção externa, reduzindo os efeitos de choques e vibrações. O papelão ondulado é usado justamente por sua capacidade de absorver parte desses impactos.
- Acomodação: a carga precisa ficar firme para evitar deslocamentos durante curvas, frenagens e trepidações. Quanto maior o movimento entre as unidades, maior o risco de quebra.
- Posição: o lado mais arredondado, onde fica a câmara de ar, deve permanecer voltado para cima durante o armazenamento. Isso ajuda a manter a gema centralizada e preserva a qualidade interna.
Controle durante a viagem:
- Temperatura: ovos comercializados sob refrigeração devem ser mantidos entre 0°C e 8°C pela regulamentação brasileira.
- Umidade: níveis inadequados podem favorecer perda de qualidade e problemas na conservação da casca.
- Higiene: embalagens, veículos e ambientes de armazenamento precisam evitar contaminação durante a cadeia logística.
- Tempo: quanto mais longa a viagem, maior a necessidade de controlar temperatura, vibração e condições de armazenamento.
- Monitoramento: em trajetos internacionais, o controle começa após a coleta e passa pela classificação, embalagem, armazenamento, transporte e chegada ao destino.
A embalagem é parte da proteção
A importância da embalagem não é apenas teórica. Em testes simulando vibrações de transporte, diferentes combinações de bandejas e caixas apresentaram taxas distintas de quebra.
As caixas de papelão ondulado tiveram desempenho melhor que caixas plásticas em determinadas combinações, mostrando que o sistema de embalagem pode alterar significativamente o nível de dano.













