Um levantamento da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) mostra como a região domina a produção brasileira de algumas culturas. Com base nos dados de 2024 da Produção Agrícola Municipal (PAM), do IBGE, o estudo aponta seis produtos em que o Nordeste concentra a maior parte da produção nacional.
Entre eles estão o melão e a castanha de caju, duas culturas que transformaram partes da região em importantes polos agrícolas e também têm forte presença no mercado externo.
Batizado de Perfil Produtivo Agrícola, o levantamento analisou 20 culturas permanentes e temporárias, considerando produção, área colhida, produtividade, valor gerado e distribuição dos cultivos pelos municípios.
Melão nordestino abastece o Brasil e o exterior
O Nordeste concentrou 98,35% da produção brasileira de melão em 2024, o equivalente a cerca de 803 mil toneladas. A produção se concentra principalmente no eixo entre Rio Grande do Norte e Ceará, favorecido pelas condições climáticas, pela irrigação e pela especialização das propriedades.
- Rio Grande do Norte: concentra mais de 63% da produção e da área cultivada de melão do país, segundo a Embrapa, seguido pelo Ceará.
- Exportações: em 2025, o Brasil embarcou 283,4 mil toneladas de melão, que geraram US$ 231,5 milhões. A fruta brasileira chega a mercados da Europa, América do Norte e Oriente Médio.
Castanha de caju é quase toda nordestina
Na castanha de caju, a concentração nordestina é ainda maior. Das 158,5 mil toneladas produzidas no Brasil em 2024, 99,56% vieram da região, com destaque para Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.
O Ceará lidera a produção e também concentra uma cadeia relevante de beneficiamento. Em 2024, o estado produziu 102,3 mil toneladas e tinha cerca de 279,3 mil hectares plantados com cajueiros.
- Produção: 102,3 mil toneladas no Ceará em 2024.
- Área plantada: cerca de 279,3 mil hectares.
- Principais produtores: Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.
- Exportações: em 2025, o Brasil vendeu 16,6 mil toneladas ao exterior, movimentando US$ 75,8 milhões. O Ceará respondeu por mais de 90% das exportações brasileiras.
Apesar da dimensão da atividade, parte dos pomares apresenta baixa produtividade. Uma das estratégias adotadas para recuperar a produção é substituir árvores antigas por variedades de cajueiro-anão precoce, que apresentam maior potencial produtivo.
Duas culturas, uma forte dependência do clima
Apesar da liderança, tanto o melão quanto a castanha dependem de condições climáticas específicas. No melão, o clima mais seco e a irrigação favorecem o controle da produção. Na cajucultura, a irregularidade das chuvas no semiárido pode afetar diretamente a produtividade.
O levantamento da Sudene mostra, assim, que a força agrícola nordestina não está apenas no volume produzido. Em culturas como melão e castanha de caju, a região concentra praticamente toda a produção brasileira e mantém cadeias que também abastecem o mercado internacional.













