O Centro-Sul do Brasil enfrenta, há semanas, uma sequência de condições atmosféricas adversas que tem provocado temporais intensos em diferentes regiões.
Chuva volumosa, descargas elétricas, rajadas de vento, granizo e tornados já foram registrados em sete estados, deixando um rastro de destruição e, em alguns casos, vítimas fatais.
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro estão entre as áreas atingidas pelos eventos severos.
Diante da persistência do mau tempo, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) analisou os principais fatores atmosféricos que ajudam a explicar a frequência e a intensidade das tempestades.
Segundo o instituto, a combinação de diferentes elementos presentes na atmosfera tem criado um ambiente favorável ao desenvolvimento de sistemas de tempestade capazes de produzir fenômenos extremos em um curto intervalo de tempo.
A receita atmosférica por trás da instabilidade
Calor intenso, alta umidade no ar e ventos fortes a cerca de 5 mil metros de altitude formam a base do fenômeno, segundo o instituto.
Pequenas perturbações associadas ao fluxo de ventos vindos do Oeste reforçam a instabilidade e favorecem a formação de nuvens gigantescas, capazes de descarregar grandes volumes de água em pouco tempo.
Também pesa nesse cenário o cisalhamento do vento, fenômeno em que a velocidade e a direção dos ventos variam de forma abrupta conforme a altitude, o que ajuda a estruturar e potencializar as tempestades, tornando mais prováveis os eventos extremos.
Essas condições também favorecem a formação de supercélulas, que podem provocar granizo, rajadas intensas de vento e tornados, principalmente na região Sul.
Recordes de chuva acendem o alerta
Além da frequência das tempestades, os volumes de chuva acumulados neste mês já superam níveis históricos em diversos pontos do Centro-Sul.
Em São Paulo, o acumulado de chuva já superou o maior registrado para o período na série histórica da capital.
A cidade teve chuva por sete dias seguidos, igualando um recorde registrado apenas em 1967, há quase seis décadas.
O dado reforça que as condições deste ano fogem do padrão habitual e ajudam a explicar por que o mês tem sido marcado por eventos extremos.
Risco de novos temporais permanece
Enquanto as condições atmosféricas continuarem favoráveis à formação de tempestades, novas ocorrências de chuva forte e fenômenos associados podem atingir diferentes áreas do Centro-Sul.
Além dos transtornos provocados pela água acumulada, os temporais podem causar alagamentos, quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia e danos à infraestrutura.
Em períodos de chuva intensa, a orientação é evitar áreas sujeitas a alagamentos, encostas e locais próximos a rios e córregos que apresentam histórico de transbordamento.













