O projeto de dois dutos entre Sinop, em Mato Grosso, e Paulínia, em São Paulo, pode criar uma nova rota para o transporte de etanol produzido no Centro-Oeste até os principais mercados consumidores e corredores de exportação do país.
Com investimento estimado em R$ 22 bilhões, o Projeto Pascal, estruturado pela Inpasa, pretende reduzir a dependência do transporte rodoviário na movimentação do combustível.
A expectativa é retirar cerca de 225 mil viagens de caminhão das estradas todos os anos.
A proposta busca ampliar a capacidade logística da região, reduzir a exposição das usinas aos custos do frete e dar maior previsibilidade ao transporte da produção, principalmente para unidades localizadas a até 1,7 mil quilômetros dos principais compradores.
Como funcionaria a infraestrutura
A infraestrutura seria formada por dois dutos diferentes, projetados para transportar produtos em direções diferentes.
Um deles transportaria 13,3 bilhões de litros de etanol por ano, saindo do Centro-Oeste em direção a Paulínia, o maior polo de distribuição de combustíveis do País. De lá, o produto chegaria a grandes centros e ao Porto de Santos para exportação.
Na direção oposta, o segundo conduto entregaria 6,6 bilhões de litros anuais de derivados de petróleo para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, aproveitando a mesma estrutura para solucionar duas demandas logísticas da região num único projeto.
O trajeto percorreria aproximadamente 2,1 mil quilômetros em um corredor único.
O que mudaria para o produtor rural
A implantação de uma infraestrutura desse porte também pode provocar mudanças na cadeia produtiva do milho no Centro-Oeste, principal matéria-prima utilizada pelas usinas de etanol da região.
Com maior capacidade de transporte para o combustível, as indústrias poderiam ampliar a produção e operar com maior regularidade.
Para o agricultor, a expansão das usinas representaria mais alternativas de comercialização da produção. Em vez de depender exclusivamente de rotas destinadas aos portos e ao mercado externo, parte do cereal poderia ser absorvida diretamente pela indústria regional.
Os efeitos sobre os preços pagos ao produtor, porém, dependeriam da capacidade instalada, do número de compradores atuando em cada região e do ritmo de expansão das indústrias.
Etapa atual e próximos passos
O Projeto Pascal foi apresentado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis para iniciar o licenciamento ambiental federal.
O traçado acompanharia a BR-163 entre Sinop e Campo Grande, aproveitando depois a servidão do Gasoduto Bolívia-Brasil até Paulínia para minimizar abertura de novas áreas.
Haverá necessidade de estudos detalhados em travessias de rios, zonas úmidas, áreas urbanizadas e remanescentes de vegetação nativa.
Expansão do etanol de milho
A proposta surge em meio ao avanço acelerado da indústria de etanol de milho no Centro-Oeste. Nos últimos cinco anos, 15 novas usinas foram construídas na região, ampliando a capacidade de processamento do cereal.
A produção regional de etanol saltou de 11,3 bilhões para 16,2 bilhões de litros, quase metade do total produzido no Brasil.
Construção pode durar cinco anos
Se receber as autorizações, a construção duraria cinco anos, com previsão de manter uma média de quatro mil trabalhadores e chegar a oito mil nos períodos de maior atividade.
A substituição do transporte rodoviário por dutos evitaria a emissão de aproximadamente 500 mil toneladas de carbono por ano, quando operasse em capacidade nominal.
A redução de 225 mil viagens anuais também liberaria caminhões para outras atividades do agronegócio, especialmente durante colheitas, embora o transporte rodoviário continue necessário entre lavouras, indústrias e terminais.













