Quem acompanha o El Niño ainda terá de esperar alguns meses para ver o fenômeno perder força. As projeções mais recentes da Organização Meteorológica Mundial (WMO) apontam fevereiro de 2027 como o limite da atual janela de previsão, com probabilidade próxima de 100% de que o El Niño continue ativo até lá.
Isso não significa que o fenômeno necessariamente terminará naquele mês. A previsão indica que ele deve persistir até fevereiro, enquanto a evolução posterior dependerá do comportamento das águas do Pacífico. A tendência, porém, é de enfraquecimento depois do pico previsto para o fim de 2026.
O que acontece até o fim de 2026
A principal mudança esperada agora é a intensificação do El Niño, que deve atingir seu auge entre o fim de 2026 e o início de 2027.
- Pacífico: na região Niño 3.4, a temperatura da superfície do mar ficou entre 2,2°C e 2,6°C acima da média entre o fim de julho e meados de agosto, segundo a WMO.
- Intensidade: a NOAA estima 98% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026 e 75% de chance de o episódio alcançar intensidade histórica.
- Brasil: o Painel El Niño 2026-2027 aponta mais de 90% de probabilidade de um episódio muito forte entre setembro e novembro e 100% de permanência até pelo menos o início de 2027.
E depois de fevereiro?
A partir desse período, as projeções ficam menos definidas. A WMO prevê a continuidade das condições de El Niño até dezembro de 2026 a fevereiro de 2027, mas ainda não estabelece quando ocorrerá a volta à neutralidade.
- Fevereiro de 2027: é a referência para o fim da atual janela de persistência prevista, mas não representa uma data oficial de encerramento.
- Neutralidade: dependerá da evolução das temperaturas do Pacífico e da resposta da atmosfera.
- Efeitos posteriores: mesmo após o fim do El Niño, alterações de temperatura e chuva podem continuar por algum tempo.
O Brasil deve sentir os efeitos antes do fim
Para setembro, outubro e novembro de 2026, o painel brasileiro prevê chuvas acima da média no Sul e volumes abaixo do normal em grande parte do centro-norte.
O Rio Grande do Sul, além de áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul, tem maior chance de chuva acima da média. Já Norte e Nordeste, Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo podem registrar volumes abaixo do esperado.
Outros sistemas oceânicos e atmosféricos também influenciam o clima e podem modificar os efeitos do El Niño em cada região.
Por que o fenômeno preocupa
Um El Niño muito forte aumenta o risco de secas, enchentes e calor extremo, embora os impactos variem conforme a região.
A ONU e a WMO alertam para o aumento dos eventos extremos e defendem sistemas de preparação e alerta mais eficientes.













