A rotina de Don Juanito, aos 71 anos, começa em meio às montanhas do Equador, a cerca de 4 mil metros de altitude. Entre encostas, frio e geadas, ele conduz um rebanho de aproximadamente 150 ovelhas, caminha por até 40 minutos para acompanhar os animais e volta para uma casa construída com barro, madeira de eucalipto e palha.
É nesse cenário que o pastor decidiu permanecer. Nascido e criado no páramo de Burrucachí, Juanito afirma que a tranquilidade da região e a convivência com a família são razões para continuar longe dos centros urbanos. Seus pais também nasceram nas montanhas, e ele mantém ali uma forma de vida transmitida entre gerações.
Ovelhas, cães e uma flauta nas montanhas
- Rebanho: Juanito cuida de aproximadamente 150 ovelhas, divididas em grupos e conduzidas pelas encostas até as áreas de pastagem. O trajeto pode levar 40 minutos, com ajuda dos cães. Nas caminhadas, ele leva uma flauta andina.
- Casa e frio: a família vive em uma construção de barro, madeira de eucalipto e teto de palha. Juanito dorme em colchão de palha, com várias cobertas para enfrentar as baixas temperaturas e geadas. Ponchos, roupas de lã e chapéus também fazem parte do vestuário.
- Água e cozinha: a água vem de uma fonte natural entre as pedras da montanha. As refeições são preparadas no fogão a lenha, que também ajuda a aquecer a casa.
- Alimentação: a família cultiva parte dos próprios alimentos, como batatas e habas tostadas, e cria pequenos animais, entre eles os cuis.
- Artesanato: além do pastoreio e do cultivo da terra, Juanito confecciona gorros de lã de alpaca.
- Registro: a rotina foi acompanhada pelos criadores Josué e Elie, do canal ‘Ecuador y sus paisajes’, que passaram três dias com a família. O vídeo da visita ultrapassou 2 milhões de visualizações.
Uma vida entre gerações
Juanito pertence à cultura indígena Panzaleo, tem seis filhos e seis netos, e muitos familiares ainda vivem com ele na região. Quando precisam de produtos que não são produzidos na propriedade, os moradores seguem até o povoado mais próximo para fazer compras e, em alguns casos, vender parte da produção.Apesar da distância e das condições climáticas, Juanito não apresenta a vida no páramo como uma dificuldade da qual pretende escapar. Pelo contrário. Ele afirma que a família é feliz com a tranquilidade do lugar e que o trabalho nas montanhas permite manter uma rotina distante dos centros urbanos.













