Bruna Fernandes Malta e José Tadeu de Oliveira Filho se conheceram em 2002, durante o curso de Jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade Estadual Paulista, em Bauru (SP). Desde a sala de aula, a trajetória dos dois passou por redações e uma cafeteria até chegar à lavoura de café que hoje sustenta a rotina da família.
Depois da formatura, cada um seguiu uma trajetória profissional. Ele foi trabalhar numa editora de revistas, enquanto ela retornou a Franca (SP), sua cidade natal, para atuar na comunicação de uma cooperativa cafeeira.
Da redação ao balcão da cafeteria
O café já fazia parte da história da família muito antes de virar profissão. Bruna cresceu no Sítio Capoeira, propriedade que pertence aos parentes dela, mas diz que seguir no campo não era um caminho incentivado pelos pais quando chegou a hora de escolher uma carreira.
Segundo ela, o discurso em casa reforçava a ideia de que era melhor estudar e buscar oportunidades na cidade, já que a atividade rural era vista como desgastante e pouco atrativa para as gerações mais novas. Foi esse cenário que a levou, de início, a trabalhar longe da terra da família.
Uma cafeteria para voltar às origens
O desejo de se aproximar do negócio familiar nunca desapareceu, mas o sítio não tinha condições de sustentar mais um salário na época. A alternativa encontrada foi erguer um negócio próprio em torno do mesmo produto que já acompanhava a família havia gerações.
Em 2011, ela deixou o emprego na cooperativa e fundou o Olinto Café, em Franca. O espaço nasceu para diversificar a renda ligada ao café e, ao mesmo tempo, abrir um caminho autoral dentro de uma cadeia produtiva que ela conhecia desde a infância no Sítio Capoeira.
Reconciliação, casamento e nova rota profissional
Enquanto a cafeteria tomava forma, José Tadeu seguia atuando no jornalismo, morando em outra cidade. Em 2011, a relação chegou a ser interrompida por causa do desgaste do namoro à distância, mas a reconciliação veio no ano seguinte.
Com a volta do relacionamento, ele deixou Bauru para se mudar para Franca, onde o casal oficializou a união. A intenção inicial ainda era manter a carreira de jornalista, mas a escassez de vagas na área de comunicação na cidade o aproximou, pouco a pouco, da rotina do Olinto Café.
Da coadjuvação à paixão pelo café
O envolvimento começou como apoio ao trabalho dela e foi ganhando espaço até se tornar dedicação integral ao negócio. Largar a profissão escolhida ainda na faculdade, porém, não aconteceu sem resistência interna.
Por alguns anos, ele conciliou trabalhos como freelancer na comunicação com a gestão da cafeteria, até perceber que o ofício de contar histórias não precisava ficar para trás — apenas mudar de palco. O conhecimento técnico sobre barista e sobre café passou a funcionar como nova forma de comunicação, levada a eventos, mesas e palestras sobre o produto.
Hoje o casal de ex-colegas de faculdade administra tanto a cafeteria quanto a produção ligada à família na região de Franca, unindo a bagagem do jornalismo à tradição cafeeira que atravessa quatro gerações no Sítio Capoeira.













