O contato com a terra começou nos fins de semana, quando um garoto seguia o pai pelas lavouras de arroz, milho e pelo gado da fazenda da família. A soja mal aparecia na propriedade naquela época, mas foi essa vivência de infância que moldou a carreira de Everaldo Pereira no campo.
Hoje, décadas depois daquelas tardes acompanhando o pai, ele administra uma operação de 12 mil hectares de soja espalhada por quatro municípios de Goiás. A trajetória passa por formação em Agronomia, experiência em multinacional e pela construção de uma das marcas de sementes mais conhecidas do agronegócio brasileiro.
Formado em 1992 pela Universidade Estadual de Minas Gerais, ele deu os primeiros passos profissionais na Nestlé, onde atuou por um ano e oito meses na assistência técnica. Foi morando em Mineiros, em Goiás, que o interesse pela soja ganhou força, ao lado de um colega que acompanhava lavouras da cultura.
Do interesse pela soja ao próprio negócio
Em 1994, ele passou a integrar a área comercial de sementes de uma empresa recém-criada em Cristalina, Goiás, então entre as principais companhias privadas de pesquisa em soja do país. A vivência ali aprofundou o conhecimento em pesquisa, produção e venda de sementes, experiência que o levou a abrir negócio próprio dois anos depois.
Em 1996, junto a sócios, ele fundou uma revenda de insumos agrícolas que, ao longo de 25 anos, chegou a oito lojas em Goiás. O passo seguinte veio em 1999, quando o grupo deu início ao projeto que originou a Sementes Goiás, companhia que se tornaria referência nacional no setor.
Reconhecimento e expansão na produção de soja
A Sementes Goiás foi apontada em três ocasiões, entre 2015 e 2019, como uma das melhores empresas do segmento pela Globo Rural, além de figurar em levantamentos sobre ambientes de trabalho.
Enquanto o negócio de sementes crescia, a lavoura própria também avançava: em 1997, ao lado do sócio Antonio Pimenta, ele começou a plantar soja e nunca mais parou com a cultura.
Em 2020, a parte da empresa ligada à produção de sementes e à venda de insumos foi vendida para uma companhia canadense do setor, o que abriu uma nova fase na carreira. A partir dali, a atuação se concentrou na produção agrícola em si, com a soja no centro das operações.
Uma lavoura que atravessa quatro cidades
A soja plantada por Everaldo Pereira hoje ocupa 12 mil hectares distribuídos entre Rio Verde, Jataí, Caçu e Aparecida do Rio Doce, todos em Goiás. Ao lado da lavoura, ele mantém também atividades de pecuária, com melhoramento genético da raça Nelore e criação de gado comercial.
Quase três décadas de soja no currículo deram a ele uma visão ampla das mudanças que o agronegócio brasileiro atravessou, da tecnologia empregada no plantio à escala das operações no Centro-Oeste.













