Sam Pincott comprou 50 galinhas há 11 anos para tentar melhorar o solo de sua propriedade em Holbrook, no sul de Nova Gales do Sul. As aves ficavam soltas em um velho trailer adaptado, e a solução virou um negócio de ovos caipiras que hoje reúne 15 mil galinhas na propriedade.
A produção chega a cerca de 50 mil ovos por semana. Pincott começou acidentalmente na produção há 11 anos, quando colocou 50 galinhas em um velho trailer para melhorar a saúde do solo. As galinhas nunca ficam trancadas em galinheiros fechados, e elas circulam livremente pelas pastagens, protegidas por cães da raça Maremma, que vivem no campo com os bandos.
Pasto que se recupera sozinho
O produtor percebeu uma recuperação rápida da vegetação depois que as aves passaram a ocupar as pastagens. Espécies perenes voltaram a crescer sem intervenção mecânica, e a recuperação resultou do pastejo combinado com a circulação constante das galinhas pelo terreno.
Testes regulares realizados na propriedade mostram melhora constante nos níveis de matéria orgânica do solo. A estrutura conta com 19 galinheiros móveis, fabricados em Holbrook e deslocados pelas pastagens uma vez por semana com o auxílio de um trailer, e a cada movimentação, eles percorrem 50 metros.
Parceria com gado e ovelhas
O sistema funciona em conjunto com bovinos e ovinos que chegam à propriedade por meio de acordos de pastejo. Segundo Pincott, esses animais cumprem um papel importante ao rebaixar o pasto, abrindo caminho para que as galinhas sigam se alimentando logo depois.
Em 2018, novas regras para ovos de granja livre passaram a valer para obrigar os produtores a cumprir o que anunciam no rótulo.
Pela norma, é permitido manter até 10 mil galinhas por hectare para que o produto seja classificado como granja livre. A propriedade de Pincott opera com uma densidade de apenas 40 aves por hectare, bem abaixo do limite.

Consumidores exigentes em Sydney
A maior parte da produção segue para clientes de Sydney que, segundo o produtor, conhecem o produto que compram. Ele diz se surpreender com perguntas dos consumidores da cidade sobre debicagem, tipo de ração complementar e densidade de criação das aves.
A baixa concentração de animais por área também reduziu os problemas de saúde do plantel. O espaço amplo e as opções de forrageio e atividade no pasto evitam brigas entre as galinhas. Isso elimina a necessidade de corte de bico e mantém o plantel com poucos problemas sanitários, segundo Pincott.
Os cães que guardam o bando
Nove cães Maremma estão entre os principais trabalhadores da fazenda. Eles moram nas pastagens com as galinhas e atuam em duplas e cada par é responsável por um grupo de aves de determinada idade.
Como as galinhas nunca são presas à noite, os cães ficam de plantão para afastar predadores como raposas e águias. Um novo filhote deve se juntar à equipe em algumas semanas, treinado desde cedo para manter o vínculo de proteção com o bando e assumir o papel de guardião das pastagens.
Por que as galinhas recuperam o solo sozinhas
Quando as galinhas circulam pela pastagem, elas não apenas comem a grama — elas mexem constantemente no solo com as patas enquanto bicam insetos e sementes. Esse movimento contínuo, combinado com os dejetos que deixam para trás, vai devolvendo nutrientes ao terreno.
Ao mesmo tempo, o pisoteio leve das aves abre espaço para novas plantas crescerem, e a matéria orgânica que elas depositam funciona como adubo natural.
A passagem do gado e das ovelhas antes das galinhas intensifica esse processo: os animais maiores rebaixam a grama alta, criando um ambiente perfeito para as aves forragearem. Juntos, esses três tipos de criação — bovinos, ovinos e galinhas — realizam o trabalho que normalmente exigiria máquinas agrícolas.
Mas de forma que melhora a saúde do solo em vez de compactá-lo.
Se as galinhas ficam soltas à noite, como nenhuma desaparece?
Os cães Maremma, raça criada historicamente para proteger rebanhos nas montanhas italianas, vivem permanentemente nas pastagens com as galinhas. Eles trabalham em duplas, e cada par é responsável por um grupo de aves da mesma idade. Durante o dia, descansam, e à noite, patrulham o campo para afastar predadores como raposas e águias.
O vínculo entre cão e bando é tão importante que Pincott não quer quebrá-lo com atenção excessiva. Os cães recebem apenas comida pela manhã, enquanto ele coleta os ovos, e vivem como guardiões, não como animais de estimação.













