A estrela do clássico “Vertigo”, Kim Novak, abandonou Hollywood há 60 anos e se mudou para um rancho no Oregon, nos Estados Unidos. Ali, a ex-atriz descobriu nos animais respostas para questões que tinha sobre si mesma. Aos 93 anos, a vencedora de dois prêmios Globo de Ouro conta como a convivência com seus animais transformou sua compreensão do mundo e melhorou sua autoestima.

Em entrevista exclusiva à organização People for the Ethical Treatment of Animals (PETA), à qual a revista People teve acesso, Novak disse que deixar a indústria cinematográfica foi essencial para recuperar seu senso de valor pessoal. A estrela dos anos 50 explicou que, em Hollywood, a identidade se confunde quando a pessoa interpreta papéis diferentes e assume personagens distintos, e pode começar a se perder neles.
A honestidade dos animais como espelho
Para Novak, os animais oferecem algo que o mundo humano não oferecia: autenticidade absoluta. Segundo ela, os bichos não se importam com dinheiro, status ou endereço e buscam apenas honestidade. Essa troca de confiança entre humano e animal revigorou sua autoestima.
Na visão da ex-atriz, conquistar a confiança e o respeito de um animal dá à pessoa um forte senso de valor pessoal. A resposta dos animais é genuína e pode manifestar medo, orgulho, amor ou todas essas emoções ao mesmo tempo.
Ela acredita que o mundo seria um lugar melhor se mais pessoas aprendessem a ouvir e entender os animais.
Histórias de companheiros inesperados
Durante suas décadas no rancho, Novak cuidou de muitos animais, cada um deixando sua marca em sua vida. Uma das histórias envolve um pássaro chamado Shadow, um stellar jay que caiu do ninho quando era filhote. O marido de Novak, que era veterinário, costurou a asa do pássaro e o recuperou, mas Shadow se recusou a partir.
O pássaro se tornou parte da rotina doméstica. Segundo Novak, o marido fazia panquecas aos domingos e sempre preparava pequenas porções para Shadow, que as pegava e levava para todos os seus amigos.
Novak mantinha a janela aberta para que Shadow pudesse entrar e sair livremente, dando ao pássaro a liberdade que ele merecia. Ela disse que amava Shadow e deixava a janela aberta para que ele voasse para dentro ou para fora.

Além do pássaro, Novak também conviveu com uma cobra chamada Sincerely, que gostava de se enroscar nos ombros da atriz enquanto ela jogava cartas. Para Novak, essa relação com os animais não era apenas afeto: refletia uma filosofia de vida que ela esperava compartilhar com o mundo.
Na visão da atriz, os animais são criaturas vivas e há muito a aprender com eles, pois cada um tem dons que só ele pode oferecer ou reter. Ela gostaria que as pessoas os respeitassem mais e se relacionassem com eles de forma genuína.
Novak espera que sua conexão com os animais inspire outros a buscar a mesma paz que encontrou no Oregon, distante dos sets de cinema.
Como alguém pode aprender com animais se não tem experiência anterior com eles?
Segundo Novak, o primeiro passo é mudar a abordagem: em vez de tentar ensinar ao animal o que você quer, é preciso ouvir o que ele comunica. Cada animal tem dons e capacidades próprias: alguns demonstram confiança, outros exigem honestidade e outros oferecem companhia sem julgamento.
Criar uma conexão com um animal não exige treinamento prévio, mas disposição para observar, respeitar e permitir que o animal seja quem é. Quando o ser humano deixa de tentar controlá-lo ou moldá-lo e passa a se relacionar genuinamente com ele, ocorre o aprendizado mútuo.













