Uma antiga fazenda de gado leiteiro em Kyabram, na Austrália, virou um criadouro de camelos. O longo processo para essa transformação começou em 2015, sendo concluído pela proprietária, Megan Williams, cinco anos depois, quando 100 nascimentos de camelos marcaram a maior temporada já registrada no local.
As crias começaram a chegar antes do previsto: entre 10 e 15 filhotes já circulavam pelo pasto, enquanto as outras fêmeas continuam prenhes. Com tantos nascimentos ao mesmo tempo, a fazenda ordenhou o maior número de camelos de sua história.
Uma gestação longa e um parto tranquilo
A gestação de uma camela dura de 12 a 14 meses, bem mais que a de uma vaca, mas o parto costuma ser mais simples do que se imagina. O parto de camelo costuma ser tranquilo e não exigir intervenção, mas há exceções. Na propriedade de Megan Williams, foi necessário intervir apenas uma vez em toda a operação. Essas situações são raras, mas o tratador precisa estar preparado para auxiliar o nascimento, como fazem os criadores de gado tradicional.
A confiança por trás da ordenha
Apesar das diferenças entre as espécies, a lógica da ordenha é parecida com a de uma fazenda leiteira comum. Os camelos também têm quatro tetas e são ordenhados com os mesmos equipamentos usados em vacas: copos e linhas de sucção.
O que muda é o tempo de adaptação: treinar um camelo para a ordenha pode levar bem mais tempo, porque o processo depende inteiramente da confiança do animal. Um camelo só libera o leite quando está relaxado, o que torna cada sessão uma construção diária de rotina entre o animal e quem cuida dele.
Produção em alta mesmo com a pandemia
As restrições ligadas à Covid-19 afetaram o turismo que a propriedade recebia, mas abriram espaço para que o foco se voltasse de vez ao rebanho. Boa parte do leite é transformada em pó, usado depois numa linha de produtos para a pele. A fazenda também já testou receitas de queijo feta e chocolate feitos com o leite de camela, um experimento que nasceu do gosto pessoal de Williams por doces.













