Uma ovelha encontrada perdida numa montanha da região central de Victoria, na Austrália, carregava 40 quilos de lã nas costas e mal conseguia se mover. O animal, batizado de Alex, foi resgatado em estado crítico pelo santuário Edgar’s Mission e precisou passar por uma tosquia de emergência para sobreviver.
A dona do santuário, Pam Ahern, recebeu o chamado de um cuidador de vida selvagem que havia localizado o bicho na montanha. Ao chegar ao local, ela encontrou o animal deitado no chão, incapaz até de erguer a cabeça.
Um resgate contra o tempo
A quantidade de lã acumulada impedia qualquer manejo imediato: o velo estava tão compacto que nem era possível injetar líquidos no corpo do animal. Urina, gravetos, insetos e parasitas cobriam completamente o pelo, e Pam Ahern descreveu o quadro como de cortar o coração.
Diante da gravidade do caso, ela acionou Holly Kendall, tosquiadora profissional de Kilmore, para uma intervenção ainda naquela noite. A avaliação era que, sem essa ação imediata, o animal não resistiria até o amanhecer.
A tosquia contra o tempo
Holly chegou à meia-noite e trabalhou por cerca de uma hora para remover o velo extremamente emaranhado de Alex. A tarefa era crítica e complexa: diante da quantidade de lã compactada, era difícil saber por onde começar a tosquia.
Mesmo depois da tosquia, o animal ainda precisava de apoio para ficar em pé, mas os olhos já mostravam sinais de recuperação a cada minuto. A equipe avaliou que, sem a intervenção do santuário naquele momento, Alex não sobreviveria.
Não é o primeiro caso do tipo
Situações assim não são exclusivas de Alex, e em 2015, uma ovelha de Canberra, batizada de Chris, ganhou repercussão mundial por carregar um velo de 41 quilos, considerado recorde na época.
No caso de Alex, a avaliação é de que ele tenha fugido de uma propriedade rural ainda jovem. O animal pode ter passado seis anos sem qualquer tosquia — se é que já havia sido tosquiado alguma vez. O nome escolhido para Alex faz referência ao Monte Alexander, local onde foi encontrado.
Hoje recuperado, Alex integra permanentemente o santuário e formou um forte vínculo com os outros dois moradores, as ovelhas Chloe e Molly Brown. Para Pam Ahern, foi a bondade humana que salvou o animal e lhe garantiu uma segunda chance de vida.
Por que o excesso de lã impediu que Alex fosse tratado
A lã compactada no corpo de Alex criava uma barreira física tão densa que impedia intervenções médicas básicas. Quando o velo fica extremamente emaranhado e acumula urina, galhos e parasitas, transforma-se numa estrutura rígida que impede até a inserção de uma agulha para injetar fluidos no animal.
Esse acúmulo também concentra peso e calor no corpo, esgotando rapidamente as reservas de energia do animal.
Além disso, a lã compactada reduz a circulação de ar e dificulta os movimentos naturais. Por isso, mesmo após a tosquia, Alex precisou de apoio para ficar de pé: o corpo estava tão debilitado pelo peso. E pelo longo período sem se movimentar que os músculos não conseguiam sustentá-lo sozinho de imediato.













