Quando o australiano Karl Riseborough se deu conta da quantidade de alimento que sua cervejaria desperdiçava por semana, ele buscou uma solução que lhe fez reaproveitar cerca de 50 quilos de grãos por produção de cerveja. O bagaço de malte que sobra da fabricação da cerveja antes ia direto para o lixo, junto com os restos da cozinha, algo comum na rotina de restaurantes e bares.
A especialista em desperdício de alimentos Belinda Chellingworth afirmou ao ABC News que boa parte dos comerciantes não tem ideia do volume de resíduos gerado, nem do quanto isso pesa no caixa do negócio. Esse desperdício de alimentos custa bilhões de dólares por ano à economia australiana e afeta a gestão de aterros, a segurança alimentar e o clima.
Grande parte do que é jogado fora ainda estaria em condições de consumo, o que evidencia o problema para quem trabalha no setor.
A solução veio do próprio bagaço da cerveja
Esse problema levou Riseborough a procurar o apoio de Chellingworth para reverter esse cenário. Com isso, ele parou de descartar 50 quilos de bagaço de malte a cada produção de cerveja. Hoje, pessoas aparecem regularmente para buscar o material assim que a fermentação termina.
Parte do material vai para hortas e jardins como adubo, enquanto a outra parte alimenta os animais de quem o retira na cervejaria. A rotina de coleta de lixo também mudou desde que o esquema começou a funcionar.
Menos lixo, menos conta para pagar
Antes, o estabelecimento tinha dois contêineres de 240 litros recolhidos semanalmente. Agora, apenas um é recolhido, com menos frequência.
Riseborough calcula que essa mudança sozinha já economiza cerca de 5 mil dólares (R$ 23,5 mil) por ano. O valor reforça como pequenos ajustes na rotina de um negócio podem representar diferença real no orçamento.
O efeito acumulado que ninguém enxerga
O setor de hospitalidade na Austrália descarta um volume considerável de alimentos todos os anos, segundo a Sustainable Restaurant Association. Esse custo se distribui entre bares, restaurantes e negócios semelhantes, muitas vezes sem que os donos enxerguem o prejuízo total.
Chellingworth explica que poucas empresas inspecionam seus resíduos com regularidade. Quando sobra comida ao fim do expediente, o destino quase sempre é o aterro sanitário, sem qualquer tentativa de reaproveitamento.
Um custo pago várias vezes sem perceber
Segundo a especialista, negócios maiores raramente percebem o custo total do desperdício porque ele aparece em etapas diferentes da operação. Pedir ingredientes em excesso já pesa na cozinha; se o prato não for vendido, isso vira perda de receita.
Depois ainda existe o custo de recolher o que vai para o lixo. Como cada etapa cai em um centro de custo diferente, dificilmente alguém soma tudo e enxerga o impacto real sobre o negócio inteiro.
A meta do governo e as dúvidas sobre o prazo
Chellingworth alerta que a capacidade dos aterros está chegando a níveis críticos em diversas regiões do país. Alguns pontos de Perth devem esgotar o espaço disponível em poucos anos, enquanto locais de New South Wales seguem no mesmo caminho em prazo um pouco maior, enquanto Victoria projeta esgotamento dentro de uma década.
O governo federal se comprometeu a reduzir o desperdício de alimentos pela metade até 2030.. Para empresas pequenas como a cervejaria de Riseborough, a solução apareceu antes de qualquer resposta do governo: transformar o que seria lixo em um adubo ou em ração.













