Criadores de gado da Austrália estão enfrentando uma nova crise de febre efêmera bovina. Um surto fora de época de febre efêmera bovina, doença que costuma durar poucos dias, tem matado gado em Queensland, o que acendeu um alerta em veterinários da região.
A veterinária Libby Harriman afirmou ao portal australiano ABC que este é um dos piores episódios que já viu em uma década de trabalho com pecuária. Criadores relatam que alimentam o gado aparentemente saudável e repentinamente os animais morrem num intervalo de 24 a 48 horas, bem mais rápido do que costuma ocorrer nesse tipo de infecção viral.
Os sinais incluem dor muscular, perda de apetite, baba, tremores e dificuldade para ficar em pé, às vezes parecendo que o animal sofreu uma fratura na pata.
Um surto fora da época esperada
O vírus, que é descrito por veterinários como “similar a gripe”, costuma circular após fortes chuvas de verão, quando mosquitos proliferam e espalham a doença entre o rebanho. Desta vez, porém, a contaminação apareceu durante o período seco e surpreendeu produtores e veterinários.
Jovens e fêmeas também adoecem
Normalmente as mortes se concentram em bois mais pesados, que caem e não conseguem se levantar sozinhos. Desta vez, porém, novilhas e animais jovens também sucumbiram à infecção em poucos dias.
Além disso, outra questão gera preocupação: o surto atual está causando gripes mais agressivas, com taxa de mortalidade acima do esperado.
Baixa imunidade explica a gravidade
Esse tipo de gripe já acomete gados na Austrália desde 1936. Em 1955, um surto histórico foi responsável por gerar todas as variantes conhecidas atualmente. O caso atual já acende alertas no governo estadual de Queensland, que investiga se há a possibilidade do surto atual estar sendo causado por uma nova variante.
O surto atual teve início com mosquitos levados pelo vento a partir da costa leste. A maior gravidade dos casos se deva à queda na imunidade coletiva do rebanho. Isso porque a proteção natural dos animais diminui quando o vírus desaparece por vários anos. Nos próximos anos, a imunidade do rebanho deve se recompor, e os sintomas tendem a ficar mais brandos.
Não há risco para humanos nem para a segurança da carne e do leite produzidos pelos animais infectados. A orientação de veterinários e da indústria é que produtores vacinem o rebanho preventivamente, já que a imunização ajuda a reduzir a gravidade dos sintomas mesmo em um surto fora do padrão sazonal esperado.
Por que a queda de imunidade torna o surto mais perigoso
O vírus da febre efêmera bovina circula na região norte da Austrália há décadas, mas quando desaparece por vários anos, os animais perdem naturalmente a proteção que tinham. Isso explica por que este surto tem sido tão grave comparado aos anteriores. O rebanho inteiro está precisando se defender do vírus novamente, e sem essa imunidade, os sintomas ficam bem mais intensos e as mortes mais rápidas.













