Uma filha de criadores de ovelhas decidiu homenagear o negócio da família em sua cerimônia de casamento. Grace Ridge casou-se com Will, que também possui um rebanho. Juntos, o casal optou por usar vestido e terno feitos inteiramente de lã.
A peça usada por Grace pesava 15 quilos e levou cinco meses para ser confeccionada. A estilista de vestidos de noiva Anna Maurer, criou o vestido com mais de 25 metros de crepe leve, feito de 100% de lã merino australiana, adequado para o clima quente. Na cerimônia, Grace usou o vestido e Will, o terno, ambos feitos de lã.

Criação de um vestido único
O trabalho de confeccionar a peça exigiu viagens constantes para Sydney, um trajeto de nove horas, para que a noiva e a estilista pudessem coordenar os detalhes. A saia do vestido tinha sete painéis plissados em forma de semicírculo e uma bainha com mais de 30 metros de circunferência.
Maurer explicou que a lã merino leve é adequada para a alta-costura porque pode ser esticada e moldada com precisão sobre um corpete estrutural de reforço. O tecido é fácil de costurar e oferece um acabamento impecável. A estilista estruturou o corpete e criou uma saia plissada no estilo Christian Dior.
Conforto apesar do peso
Grace disse ao ABC News que não sentiu calor excessivo durante o casamento. Apesar do peso do vestido, ela o descreveu como confortável de usar. A lã oferece qualidades que os sintéticos não conseguem replicar, especialmente em climas quentes, onde as fibras finamente tecidas mantêm o corpo mais fresco do que os materiais sintéticos.
Oportunidade perdida para a indústria local
O caso abriu portas para discussões acerca de problemas estruturais da indústria de lã na Austrália. Isso porque o país exporta toda a lã de alta qualidade que produz para a Itália. Em seguida, essa lã australiana se transforma em tecidos finos e posteriormente volta a ser importada pela Austrália.
Ou seja, ao invés de produzir o próprio tecido, o país vende sua matéria-prima e em seguida precisa comprar novamente o material pronto.
De acordo com Maurer, isso também reflete um problema governamental, já que dezenas ou até centenas de milhares de fardos de lã de muito alta qualidade acabam armazenados em galpões sem uso, enquanto o governo não oferece apoio significativo aos produtores de lã.
O que significaria para a economia se a Austrália processasse sua própria lã
O investimento em fábricas próprias manteria a produção e a agregação de valor em solo nacional, criando mais empregos na transformação da matéria-prima e aumentaria o retorno financeiro para toda a cadeia produtiva australiana. Na prática, isso significaria que produtores de lã como os pais de Grace e o marido Will teriam melhores retornos financeiros e estilistas como Anna Maurer não precisariam importar tecidos de lã merino do exterior para criar suas peças.













