Em Piedade de Ponte Nova, em Minas Gerais, uma leitoa surpreendeu o produtor João Antônio Bordoni ao dar luz a 46 leitões. O parto, que ocorreu em junho, durou 12 horas e exigiu uma mobilização entre funcionários, fornecedores e familiares da propriedade.
Em entrevista ao Canal Rural, o produtor João Antônio Bordoni, que administra a fazenda familiar com as quatro irmãs, explicou que o resultado não foi fruto do acaso. Bordoni atribui o feito a anos de investimentos em genética, nutrição, manejo e bem-estar animal, além de fatores climáticos que favoreceram o desenvolvimento da matriz até o parto.
Preparação que começa na nutrição
A equipe classifica matérias-primas como milho, sorgo e soja antes de transformá-las em ração. O treinamento constante, a ambiência da granja e os investimentos em conforto animal formam a base do trabalho na propriedade.
O clima também contribuiu, e depois de um período de calor intenso que poderia comprometer a gestação, a queda das temperaturas favoreceu o desenvolvimento da leitoa até o parto. Bordoni acredita que, sem essa melhora, a matriz talvez não chegasse ao fim da gravidez com sucesso.
Parto exigiu acompanhamento veterinário intensivo
O nascimento dos 46 leitões exigiu cuidados incomuns. Ao atingir entre 30 e 31 leitões, a matriz precisou de procedimentos específicos da equipe veterinária para chegar com segurança ao fim do parto.
Durante as 12 horas de parto, a equipe monitorou constantemente a temperatura corporal e possíveis complicações, como febre ou retenção de filhotes. A equipe também realizou procedimentos técnicos que permitiram à leitoa concluir o parto sem hormônios ou práticas invasivas.
Bem-estar animal, não apenas produtividade
Bordoni diz que o bem-estar animal é prioridade da granja, e não apenas consequência da busca por produtividade. Embora empresas de genética e nutrição trabalhem para aumentar a eficiência, a Fazenda Cotia segue protocolos naturais e mantém manejo diário cuidadoso, sem usar hormônios para provocar resultados.
A notícia do parto se espalhou pela propriedade e gerou clima de festa. Funcionários que acompanharam diretamente o nascimento e colegas de setores distantes, como manutenção e terraplanagem, queriam saber o que havia acontecido. Prestadores de serviço, fornecedores e clientes também compartilharam a euforia que marcou o dia 11 de junho na fazenda.
Como o bem-estar animal melhora a produtividade reprodutiva
O bem-estar animal funciona como base para que a fêmea consiga expressar seu potencial genético natural. Quando a leitoa recebe conforto adequado e manejo cuidadoso, o seu corpo consegue canalizar energia para a gestação em vez de gastar recursos respondendo a situações de estresse.
Isso permite que ela desenvolva mais filhotes e chegue ao parto em melhor condição física. A genética trabalha para aumentar a capacidade reprodutiva, mas precisa de condições ambientais e de manejo para se expressar plenamente. Sem essa base de bem-estar, mesmo uma matriz com excelente genética não consegue aproveitar seu potencial máximo.
Quando esse resultado extraordinário não pode ser repetido
A organização Guinness World Records deixou de homologar recordes de quantidade de filhotes nascidos para evitar que, na tentativa de bater um número, produtores forcem situações que comprometam a saúde da matriz.
Um parto tão longo e com tantos filhotes só foi seguro porque contou com acompanhamento veterinário intensivo e procedimentos técnicos específicos. Não é algo que qualquer granja possa fazer sem risco de perder a fêmea ou os leitões.
Por que bem-estar animal se tornou exigência global na suinocultura
A suinocultura brasileira está inserida em um mercado global no qual o bem-estar animal deixou de ser opcional. A Comunidade Europeia já tem legislação ampla e detalhada sobre o tema, e essa exigência também chega ao Brasil.
Para manter a competitividade e a sustentabilidade da cadeia suinícola nacional, profissionais de todos os níveis, de funcionários de manutenção a especialistas em nutrição, precisam compreender e aplicar essas práticas. Além de uma questão ética, a adaptação é necessária para evitar perda de espaço no mercado, tanto no Brasil quanto para quem almeja a exportação.













