Mais de 100 mil laranjas e toranjas em Griffith, na Austrália, se transformaram em 60 esculturas variadas durante o festival de primavera da cidade. Artistas locais usam estruturas de arame, elásticos ultravioleta e frutas frescas para criar obras que atraem milhares de visitantes.
A região responde por cerca de 30% da produção de citros da Austrália, e a qualidade das frutas aparece nas peças. Antes de entrarem nas esculturas, elas são lavadas e cobertas com cera, procedimento que retém a umidade e evita que enruguem rapidamente sob o calor do sol.
Do campo à obra de arte
A cera aplicada nas frutas funciona como protetor, retendo a umidade que permitiu à fruta permanecer viçosa durante os dias de exposição. Segundo Vito Mancini, vice-presidente da Associação de Citricultores do Distrito de Griffith, essa atenção aos detalhes garante que apenas as melhores frutas integrem as criações.
O trabalho de encaixar cada fruta na estrutura é minucioso — o vice-presidente da associação descreveu o processo como tentar montar um quebra-cabeça. Uma das esculturas mais notáveis é uma laranja feita inteiramente de laranjas, desenvolvida por 10 pessoas trabalhando juntas. Mancini, que participou da criação, ressaltou que o resultado final é uma verdadeira obra de arte.

Celebração da diversidade cultural
Além de mostrar a força agrícola local, as esculturas refletem a diversidade cultural de Griffith. Moradores de diferentes origens usam o festival para expressar suas identidades, iniciativa incentivada pela prefeitura há anos.
Uma das criações mais particulares é uma casa fijiana feita de laranjas, construída por Jone Laweloa, que vive na comunidade há 30 anos. Ele dedicou uma semana para montar a estrutura da casa tradicional fijiana e aproximadamente três horas para pendurar cada laranja, trazendo ao espaço público um símbolo da herança que deseja preservar.
Laweloa participa do evento há 26 anos. Segundo ele, criar a casa fijiana com laranjas é uma forma de mostrar sua identidade e levar de volta a Griffith o conceito das construções das aldeias de Fiji, demonstrando como o festival se incorporou à vida comunitária.
Griffith abriga mais de 60 nacionalidades. A gerente de turismo da prefeitura disse que o festival celebra a criatividade, a agricultura, o multiculturalismo, a hospitalidade e o espírito comunitário que definem a cidade.
Por que a cera protege a fruta do ressecamento
A cera aplicada nas frutas funciona como uma barreira impermeável que impede a perda de água. Quando a laranja ou toranja está exposta ao calor do sol durante dias, a umidade natural da fruta tende a evaporar rapidamente, deixando-a enrugada e sem brilho.
A camada de cera retém essa umidade dentro da fruta, mantendo sua aparência fresca e viçosa ao longo de toda a exposição.
Para onde vão as frutas após o festival terminar?
O evento dura 14 dias, e ao final, nenhuma das frutas utilizadas na produção de esculturas vai para o lixo. Todas são utilizadas para a fabricação de sucos, evitando qualquer desperdício.













