Cientistas descobriram que cultivar fungos não é apenas uma prática humana. Formigas já fazem isso há 65 milhões de anos, muito antes de nossos ancestrais domesticarem as primeiras plantas, há apenas 12 mil anos.
Besouros-ambrósia e térmitas também praticam agricultura há milhões de anos, como mostram fósseis de ninhos com 25 milhões de anos. Peixes-donzela cultivam jardins de algas, e algumas formigas desenvolveram uma forma primitiva de pecuária: criam pulgões e cochonilhas para extrair secreções açucaradas.
O que torna a agricultura Convergente na evolução
Ted Schultz, entomologista que dirige o AntLab no Museu Nacional de História Natural da Smithsonian, coordenou a publicação de “The Convergent Evolution of Agriculture in Humans and Insects” (A Evolução Convergente da Agricultura em Humanos e Insetos). O trabalho reúne análises de como diferentes espécies solucionam o mesmo desafio: produzir alimento em vez de procurá-lo na natureza.
Schultz explica que asas de pássaros e morcegos não são idênticas, mas ambas resolvem o problema do voo, e a agricultura funciona assim.
Essa semelhança não é coincidência: quando espécies enfrentam o mesmo obstáculo evolutivo, desenvolvem soluções parecidas, ainda que por caminhos biológicos distintos. Agricultores humanos ou não precisam preparar o terreno, plantar, combater parasitas e colher. Quando migram, levam sementes ou indivíduos para iniciar novas lavouras em outro lugar.
Os paralelos entre agricultores de espécies diferentes
Joan Strassmann, bióloga evolucionista, destaca o caso de uma formiga que voa com uma cochonilha fêmea grávida para fundar uma colônia inteira. O gesto se compara ao de um humano que carrega sementes para começar uma plantação.
Dorian Fuller, pesquisador de origens e evolução da agricultura na University College London, define a agricultura como uma forma de simbiose na qual duas espécies coevoluem: uma promove o crescimento da outra para se alimentar dela. Nesse sentido, humanos e insetos fazem a mesma coisa.













