O agricultor Andrew Craigie, da Tasmânia, desenvolveu uma forma de afastar os pássaros das plantações. Para isso, ele utiliza um aparelho que projeta um feixe verde que varre o solo como uma espécie de sabre de luz e afasta as aves sem feri-las.
O sucesso da tática aposentou a cadela Sue, que passou a vida perseguindo as aves no terreno, agora sai, olha em volta e volta para casa sem nada para fazer. A técnica surgiu para tentar evitar mais perdas na propriedade, já que Craigie perdeu um hectare inteiro de lavoura para os pássaros em maio de 2021, antes de instalar o sistema.
Um sabre de luz contra as aves
O Bird Beam tem formato de câmera de monitoramento e pode ser preso a um poste ou a um galpão. Programado para “patrulhar” uma área determinada de dia ou de noite, o equipamento projeta, para o olho humano, apenas um ponto verde que desliza pelo chão.
Para as aves, porém, a cena é bem diferente porque o sistema ocular delas é mais sensível.
Michelle Kerr, dona da Bird Beam, descreve o efeito como algo parecido com um sabre de luz de Star Wars: os pássaros enxergam o feixe inteiro varrendo a plantação de ponta a ponta e, ao interpretá-lo como um graveto enorme se aproximando, fogem do local.
Da Tasmânia a outros continentes
A Serve-Ag testa a tecnologia desde 2021 em um dos terrenos de Craigie para introduzi-la no mercado da Tasmânia. Segundo Kerr, o equipamento já circula por 90 países, de vinhedos no Chile a pomares na Califórnia.
Craigie já havia recorrido a luzes mais baratas e a aparelhos sonoros antes de experimentar o laser, mas nenhum funcionou tão bem quanto esse.
Pássaros custam caro à agricultura
Kerr afirma que os problemas causados por aves representam um custo de cerca de US$ 300 milhões por ano na Austrália, somando setores como agricultura, aviação e logística. Para ela, o laser é uma alternativa mais eficaz e também mais humana do que métodos como o uso de armas de fogo contra os animais.
O resultado prático, segundo a empresária, é que os produtores rurais conseguem dormir mais tranquilos pela manhã, sem precisar sair de casa para espantar os pássaros manualmente.
Equilíbrio entre controle e conservação
Para a Birdlife Australia, os métodos de controle devem ser humanos e ter impacto limitado sobre espécies-alvo e não-alvo.
O líder do programa de áreas-chave de biodiversidade da organização. Golo Maurer, explica que a situação fica mais delicada quando a ave tratada como praga também está ameaçada de extinção — caso da cacatua-negra-de-Baudin, na Austrália Ocidental. Segundo Maurer, administrar esse conflito de forma responsável está no centro do trabalho da entidade, para que pessoas e aves sejam bem atendidas.
Maurer reconhece a vantagem do laser por desestimular os pássaros sem matá-los, mas também compreende o tamanho do problema enfrentado por quem vive da terra. Já ouviu relatos de produtores que perdem semanas de sono tentando proteger suas plantações do ataque das aves.
Se o estresse psicológico chega a esse ponto, é um sinal de alerta que ninguém deveria ignorar. Ao mesmo tempo, ele pondera que atirar contra uma espécie já em declínio populacional traz riscos que o laser não tem.
Maurer também ressalvou que ainda faltam pesquisas para garantir que o laser não prejudica a visão das aves, algo crítico para sua sobrevivência.
O que muda na rotina do produtor rural
Para quem enfrenta ataques de pássaros, o equipamento automatizado substitui parte do trabalho de sair antes do amanhecer para espantar os animais. Ele funciona durante o dia e a noite, devolvendo ao produtor o tempo gasto nessa tarefa e reduzindo as semanas de sono perdido relatadas por agricultores.
Além de proteger a colheita, a tecnologia permite que o produtor deixe de ficar em alerta constante e se dedique a outras atividades da fazenda.













