Na Austrália, uma criadora de ovelhas descobriu de maneira acidental, após comprar uma raça por engano, o “Wagyu dos ovinos”. Nikki Collison, gerente da Gundy Whites, procurava seis fêmeas e um macho, mas encontrou o Australian White, raça sinônimo de retorno financeiro no mercado australiano.
O Australian White é uma raça de ovelha de corte desenvolvida especificamente para as condições climáticas da Austrália e cresceu rapidamente em demanda. Após perceber o potencial da criação que havia adquirido por acaso, Collison e sua equipe realizaram pesquisa sobre o mercado e reconheceram estar num ramo vencedor.
De acidente a investimento de alto retorno
O que começou como uma compra equivocada virou estratégia de diversificação. A Gundy Whites planeja expandir seu rebanho para cerca de 250 fêmeas, com possibilidade de crescimento futuro. O mercado justifica a ambição: o melhor reprodutor vendido em 2020 alcançou 53 mil dólares, ilustrando a rentabilidade potencial.
A reputação da raça consolidou-se com a expressão Wagyu dos ovinos, referência que destaca a qualidade da carne e o baixo ponto de fusão da gordura. Collison relata receber aproximadamente duas ligações por semana de criadores interessados em adquirir reprodutores ou fêmeas do rebanho, buscando esse acréscimo extra de renda.
Procura que ultrapassa expectativas
A demanda pelos Australian Whites expandiu-se para além dos criadores tradicionais de ovelhas. Tyler Stewart, da Regal Australian White Sheep Stud em Inverell, recebe quatro ou mais solicitações semanais desde o início das chuvas de 2020.
Houve um aumento enorme na procura e no interesse, com consultas recebidas de toda Nova Gales do Sul. A procura inclui criadores de gado que desistem de retornar rapidamente ao mercado após redução drástica de rebanhos.
A raça atrai produtores por exigir cuidados mínimos comparada a raças de lã e oferecer alternativa viável quando os preços do gado permanecem altos demais. Stewart afirma que os Australian Whites são a próxima melhor coisa para quem busca eficiência, pois podem ser tratados como gado, exigem cuidado mínimo comparado com raças de lã e representam uma opção mais fácil.
Origem e adaptação às condições locais
A raça chegou à Austrália em 2011, trazida pela família Gilmore perto de Oberon, nas Terras Centrais de Nova Gales do Sul. Graham Gilmore desenvolveu o conceito após visitar o Brasil e observar ovelhas sem lã criadas para carne.
O Australian White foi então desenvolvido localmente usando quatro raças diferentes. Com capacidade de crescer pelagem dura nos meses frios e perder essa proteção no calor — característica que a torna ideal para elevações próximas a 1.200 metros.
Uma década depois, um leilão na propriedade Tattykeel vendeu um reprodutor por 53 mil dólares e 226 animais geraram 1.766 milhão de receita. A raça consolidou-se como fenômeno na produção australiana de carne, transformando operações como Gundy Whites em investimento de longo prazo.
Criadores de gado que perderam rebanho grande conseguem mudar para Australian White rapidamente?
Sim, e é por isso que muitos criadores de gado desabituados do mercado estão procurando a raça. Segundo relatos, produtores que venderam muito gado e não conseguem comprar de volta por causa dos preços altos encontram no Australian White uma solução mais rápida e com menos trabalho.
A raça exige cuidados mínimos comparados às raças de lã, já que podem ser tratadas como gado mesmo, e não precisa de tosquia, o que economiza tempo e dinheiro, especialmente numa época em que contratação de tosquiadores ficou difícil.













