Em Queensland, na Austrália, ladrões roubaram colmeias com mais de 800 mil abelhas em uma série de roubos que, segundo especialistas, só poderia ter sido executada por alguém com experiência em apicultura. Os furtos podem estar ligados à recente disseminação de um parasita letal para as abelhas.
Os roubos preocupam produtores de alimentos da região, que dependem das abelhas para a polinização. Em setembro, os apicultores estimavam que 500 mil abelhas haviam sido levadas. Uma semana depois, o número subiu para 800 mil e continua crescendo à medida que eles contabilizam as colônias.
O impacto financeiro e operacional dos roubos
O roubo tem impacto emocional e prático para os apicultores. Depois do trabalho de preparar as colmeias, eles esperam encontrá-las saudáveis e cheias ao abri-las, mas podem deparar-se com o vazio.
Os prejuízos financeiros estimados pelos produtores afetados chegam a dezenas de milhares de dólares, considerando o valor das abelhas, a produção de mel suspensa e a perda de receita com contratos de polinização — acordos que permitem aos produtores alugar enxames para polinizar suas plantações.
Muitas abelhas roubadas estavam destinadas às fazendas de abacate de Queensland. A perda de receita se agrava pela dificuldade de recuperar as populações roubadas, especialmente num contexto já desafiador para apicultores da região.
A dupla ameaça: parasitas e roubos
Agravando a situação, o parasita varroa — um ácaro fatal para as abelhas — foi detectado recentemente em Queensland. Em junho de 2022, a Austrália se tornou o último continente habitado onde o parasita foi confirmado.
Pouco mais de um ano depois, a praga havia se espalhado tão rapidamente que o governo abandonou os esforços de erradicação. Antes disso, gastou mais de 100 milhões de dólares na tentativa de impedir a disseminação.
A decisão transferiu despesas e responsabilidades adicionais para os apicultores locais. Ecologistas afirmam que Queensland, Nova Gales do Sul e o Território da Capital Australiana já têm populações bem estabelecidas do parasita. Por isso, os produtores passaram a fazer o manejo rotineiro, com monitoramento regular e controle dos ácaros por meio de diferentes tratamentos.
Métodos sofisticados, suspeitas e antecedentes de roubos
As autoridades indicam que os ladrões usaram métodos sofisticados para roubar dezenas de colônias, cada uma com entre 15 mil e 20 mil abelhas. O ladrão removeu enxames inteiros das caixas de cria, onde a rainha deposita os ovos.
Dado que essas caixas são pesadas e requerem habilidade especial para serem manuseadas sem prejudicar as abelhas, a operação provavelmente exigiu conhecimento aprofundado da atividade.
A combinação do parasita com os roubos em série representa um duplo golpe para a comunidade. Embora alguns apicultores ainda não tenham detectado ácaros em suas colmeias, precisam dedicar tempo e energia ao monitoramento, ao mesmo tempo que protegem os enxames contra furtos.
O que significa perder colônias roubadas para quem depende de polinização
Quando abelhas são roubadas, o apicultor perde as próprias abelhas, que têm valor, o mel que elas produziriam e, principalmente, os contratos de polinização. Nesses acordos, os produtores alugam enxames para polinizar suas plantações, geralmente fazendas de abacate em Queensland. Sem as colônias, o apicultor não consegue cumprir os contratos e perde a receita prevista.













