A empresa holandesa Nedap está criando um óculos inteligente que pode facilitar a vida de criadores de gado. A proposta pretende tornar possível acompanhar informações em tempo real sobre cada boi e vaca individualmente.
Os óculos funcionam a partir de identificadores de radiofrequência (RFID) acoplados a coleiras ou brincos nas vacas. Ao clicar em um ícone que aparece na lente dos óculos, o usuário recebe instantaneamente informações como histórico de produção, sinais de estro, problemas de saúde, tratamentos anteriores e alertas em aberto.
O produtor também pode dar comandos por voz, como pedir ao sistema que separe o animal na próxima entrada na sala de ordenha usando a tecnologia SmartSort. O recurso direciona a vaca por uma porteira de duas vias.
Desafio de escala e previsões para 2031
A criação de gado leiteiro enfrenta pressões que justificam a adoção de tecnologia em larga escala. O número de rebanhos europeus com mais de 100 vacas deve dobrar nos próximos cinco anos, e a demanda global por leite deve crescer 50% até 2050. Ao mesmo tempo, faltam trabalhadores e as exigências ambientais e de bem-estar animal aumentam.
A adoção de wearables (dispositivos vestíveis) em vacas europeias crescerá de 30% para 50% até 2031, e na Nova Zelândia subirá de 13% para 25-30% no mesmo período. Essas tecnologias ajudam a antecipar problemas em vez de apenas reagir a eles — uma mudança significativa no manejo dos rebanhos.
Câmeras e inteligência artificial na detecção de problemas
Câmeras e inteligência artificial complementam os óculos. A tecnologia SmartSight monitora a locomoção das vacas para detectar sinais de claudicação (mancada), enquanto pesquisas em andamento usam câmeras para avaliar o escore de corpo do animal. Esses dados visuais permitem obter informações que antes não era possível captar com precisão.
Para treinar os algoritmos, a Nedap acoplou câmeras GoPro em centenas de vacas para capturar uma perspectiva em primeira pessoa e acompanhar cada movimento. As horas de vídeo resultantes foram analisadas para ensinar o sistema a reconhecer posturas, formas, movimentos e sinais de claudicação.
SmartSight usa câmera 3D na saída da ordenha para monitorar vacas diariamente e alertar o produtor sobre mudanças detectadas.
A abordagem remove a subjetividade de um avaliador humano e funciona até com animais novos no rebanho. Embora os óculos inteligentes ainda estejam em desenvolvimento e a comercialização demore mais, eles ilustram como a tecnologia pode resolver desafios crescentes na produção leiteira.
Por que as câmeras conseguem detectar problemas que o olho humano perde
A câmera 3D chamada SmartSight monitora a vaca diariamente na saída da ordenha e foi “treinada” para reconhecer padrões muito sutis: pequenas mudanças na forma como ela se move, na postura do corpo e em como coloca as patas. O sistema aprendeu com centenas de horas de vídeo analisadas manualmente, nas quais cada movimento foi catalogado.
Assim, a câmera consegue detectar o início de uma claudicação (mancada) muito antes do produtor perceber o problema apenas ao observar o animal, porque identifica variações mínimas que o olho humano tende a ignorar ou só nota quando o problema já está avançado.













