Em 2016, um supermercado japonês de Amagasaki, na província de Hyogo, pagou incríveis 1,1 milhão de ienes (cerca de US$ 11 mil ou R$ 36,7 mil) por um único cacho de uvas.
O cacho da variedade Ruby Roman bateu o recorde de maior venda desde que a variedade passou a ser arrematada em leilões, em 2008. A variedade é cultivada exclusivamente na cidade de Kanazawa, na província de Ishikawa.
Frutos do tamanho de bolas de pingue-pongue
A Ruby Roman chama atenção pelo sabor marcadamente doce e pela tonalidade avermelhada mais intensa que a das uvas comuns. Cada unidade chega a pesar 20 gramas e mede cerca de 3 centímetros de diâmetro, medida próxima à de uma bola de pingue-pongue.
O exemplar vendido fazia parte de um lote de 46 cachos dessa variedade levados ao leilão no mercado central de Kanazawa. A mesma rede de supermercados já havia desembolsado uma quantia alta meses antes: em maio, pagou 3 milhões de ienes (cerca de US$ 29 mil) por dois melões Yubari arrematados em Hokkaido.
Destino do cacho mais caro da temporada
O agente Takamaru Konishi, de 37 anos, encarregado da compra, informou que as uvas ficarão expostas no estabelecimento e depois serão distribuídas de graça entre os clientes. O valor pago neste leilão superou em 100 mil ienes o registrado no ano anterior, quando um cacho da mesma variedade foi vendido por 1 milhão de ienes.
A associação de agricultores de Ishikawa estima uma produção de 20 mil cachos para esta temporada. A entidade tem como meta esgotar o estoque até setembro, quando termina o período de colheita da fruta considerada a mais cara do mundo.
Por que os japoneses pagam tanto por frutas
No Japão, oferecer frutas raras e fora de época como presente é um costume comum, sobretudo entre pessoas próximas. Esse hábito explica por que exemplares sazonais atingem valores tão altos em leilões e também em lojas especializadas, onde cachos da Ruby Roman podem ultrapassar R$ 10 mil.
Cultivada com técnicas rigorosas, especialmente quando vem de Ishikawa, essa uva chega a custar o equivalente a R$ 250 por unidade nesses estabelecimentos — e ainda assim encontra compradores dispostos a pagar o preço.
Outras frutas de luxo no mercado japonês
As mesmas lojas que vendem a Ruby Roman também oferecem o melão Yubari, de formato perfeitamente esférico, por mais de mil reais a caixa com duas unidades.
Há também a melancia Densuke, de casca escura, hoje vendida por cerca de R$ 1,5 mil — valor considerado baixo perto dos 650 mil ienes pagos por um exemplar em leilão realizado em Hokkaido, em junho de 2008.
Esses preços não decorrem apenas da aparência impecável ou do cuidado no cultivo. Pesa também a tradição de presentear pessoas queridas com frutas raras, em que o valor pago costuma ser lido como medida direta de afeto.
Como a Ruby Roman desenvolve sua cor e doçura intensas
A tonalidade avermelhada vibrante e o sabor marcadamente doce da Ruby Roman resultam de técnicas específicas de cultivo. A intensidade da luz é crucial para o desenvolvimento da cor: quando é insuficiente, as uvas ficam pálidas e esbranquiçadas.
Por isso, os produtores controlam a temperatura abrindo e fechando as janelas das estufas, o que garante a circulação de ar necessária, e o nível de luz é monitorado constantemente.
O açúcar da fruta também passa por controle rigoroso, e cada uva Ruby Roman deve ter no mínimo 18% de concentração de açúcar para receber essa classificação. Métodos de cultivo manuais e mecânicos trabalham em conjunto para garantir que os cachos produzidos tenham uvas uniformes, tanto na aparência quanto no sabor.














