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Austrália vai adaptar bebedouros em seis fazendas e criar uma barreira de 7.500 km² contra sapos invasores

Por Henrique Cesaretti
05/11/2026
Austrália adaptar bebedouros seis fazendas

Foto: David McPictures/Pexels

A Austrália está implementando um projeto de A$ 28 milhões para impedir a invasão de sapos-da-cana na região do Pilbara, na Austrália Ocidental. O plano prevê modificar pontos de água em seis propriedades pastoris para criar uma “barreira sem água” de 7.500 km² ao sul de Broome, que funcionará como obstáculo à expansão dos anfíbios invasores.

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O projeto, chamado Toad Containment Zone, é financiado integralmente pela Rio Tinto em parceria com a Curtin University e tem início previsto para 2027. Os sapos já estão a cerca de 100 km de Broome, que fica 2.200 km ao norte de Perth, e representam uma ameaça crescente aos ecossistemas locais.

Como a barreira funcionará

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A estratégia envolve desativar artificialmente bebedouros como represas e caixas de água em propriedades rurais que cobrem a área delimitada. Remover o acesso à água interrompe a capacidade dos sapos de se reproduzir e expandir seu território, já que dependem de fontes hídricas para completar seu ciclo de vida.

Estudos anteriores mostraram que o bloqueio de pontos de água foi eficaz em outras localidades. A ecologista Judy Dunlop, da Curtin University, disse que eliminar esse recurso essencial desacelera o avanço da espécie invasora. A construção da barreira levará entre dois e cinco anos, com monitoramento contínuo da fauna local.

Imagem: ABC News/Divulgação

Impacto na vida selvagem

Os sapos-da-cana já mataram milhões de animais nativos australianos, incluindo cobras, varanídeos e crocodilos. Ben Phillips, biólogo da Curtin University, descreveu a perda desses animais como “uma tragédia nacional” e um prejuízo tanto para o patrimônio natural quanto para o cultural das comunidades indígenas locais.

O Pilbara abriga plantas e animais que não existem em nenhum outro lugar do planeta. Por isso, a contenção do sapo-da-cana é necessária para preservar a biodiversidade regional. Phillips apontou o projeto como a melhor oportunidade disponível para evitar consequências ainda mais graves à fauna silvestre.

Perguntas e respostas
P
O que é o projeto Toad Containment Zone e quem financia?
R
É um projeto para impedir a invasão de sapos-da-cana na região do Pilbara que prevê modificar pontos de água em propriedades pastoris para criar uma ‘barreira sem água’ de 7.500 km²; é financiado integralmente pela Rio Tinto em parceria com a Curtin University.
P
Como a barreira sem água pretende impedir a expansão dos sapos-da-cana?
R
A estratégia envolve desativar artificialmente bebedouros como represas e caixas de água em propriedades rurais para remover o acesso à água, interrompendo a capacidade dos sapos de se reproduzir e expandir seu território, pois dependem de fontes hídricas para completar seu ciclo de vida.
P
Quando o projeto tem início previsto e quanto tempo levará para construir a barreira?
R
O projeto tem início previsto para 2027 e a construção da barreira levará entre dois e cinco anos, com monitoramento contínuo da fauna local.
P
Quais são os riscos ou limitações que podem reduzir a eficácia da barreira sem água no Pilbara?
R
O Pilbara pode ter fontes naturais de água não identificadas, como riachos sazonais, poças de chuva ou reservatórios subterrâneos que os sapos podem encontrar, e o projeto depende da manutenção contínua das barreiras sem prazo definido; qualquer interrupção por negligência, mudanças nas operações das propriedades ou eventos naturais pode permitir o avanço dos sapos.
P
Que impactos os sapos-da-cana já tiveram sobre a vida selvagem e por que a contenção é considerada necessária?
R
Os sapos-da-cana já mataram milhões de animais nativos australianos, incluindo cobras, varanídeos e crocodilos; por abrigar plantas e animais únicos, o Pilbara precisa da contenção para preservar a biodiversidade regional, e o projeto é apontado como a melhor oportunidade disponível para evitar consequências ainda mais graves à fauna silvestre.

Engajamento comunitário

Os proprietários de terras tradicionais foram consultados durante o desenvolvimento do projeto. Martin Bin Rashid, executivo da Karajarri Traditional Lands Association, disse que equipes de vigilância e patrimônio ajudarão os construtores a proteger poços de água com significado espiritual e histórico indígena.

Os criadores locais também apoiam a iniciativa, e david Stoate, proprietário da Anna Plains Station, uma propriedade com aproximadamente 100 pontos de água, disse que o projeto exigirá tempo. Ele comparou a iniciativa a uma jornada de mil milhas que começa com um único passo.

Quando a barreira sem água pode não funcionar

A estratégia de remover pontos de água foi bem-sucedida em outras localidades, mas o Pilbara tem condições que podem complicar a implementação. A região tem 7.500 km², e os sapos podem encontrar fontes naturais de água não identificadas, como riachos sazonais, poças de chuva ou reservatórios subterrâneos.

Se conseguirem acessar qualquer fonte hídrica dentro da barreira ou nas proximidades, o projeto pode ser menos eficaz do que o esperado. Além disso, o projeto depende da manutenção contínua dessas barreiras, sem prazo definido. Qualquer interrupção causada por negligência, mudanças nas operações das propriedades rurais ou eventos naturais pode permitir o avanço dos sapos.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Henrique Cesaretti

Henrique Cesaretti

Iniciei a minha trajetória no jornalismo muito por conta da minha paixão por esportes, atuei por muito tempo como redator/jornalista esportivo mas também tive experiência com assuntos diversos.

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