Conhecida como castanha-do-pará, castanha-do-brasil ou noz amazônica, a amêndoa da Bertholletia excelsa está entre os produtos de maior valor comercial da floresta amazônica. Além da alimentação, movimenta mercados internacionais de alimentos e cosméticos.
Seu óleo é utilizado em xampus, condicionadores e sabonetes, enquanto sua composição nutricional também é alvo de pesquisas.
A castanha recebeu diferentes nomes ao longo da história, como tocari e tururi. Desde a chegada dos europeus à América do Sul, viajantes, religiosos e naturalistas registraram a árvore em relatos e estudos. No século XVIII, ingleses já consumiam a amêndoa por meio de importações portuguesas e passaram a chamá-la de Brazil Nut.
O interesse comercial levou os britânicos a tentar cultivar a árvore fora da Amazônia, assim como haviam feito com a seringueira. Sementes foram levadas para a Jamaica, Trinidad, jardins botânicos ingleses e regiões asiáticas, como Sri Lanka e Malásia.
As tentativas não alcançaram produção comercial significativa, em parte porque a árvore depende de polinizadores e das condições específicas da floresta amazônica para produzir frutos.
História da árvore
A trajetória da castanha foi estudada pelo historiador José Jonas Almeida, que transformou sua tese de doutorado pela FFLCH da USP no livro A Castanha do Pará na Amazônia. A pesquisa concentrou-se em Marabá, no sul do Pará, que chegou a ser um dos principais centros mundiais de produção durante o século XX.
O pesquisador reuniu documentos oficiais, jornais históricos, relatos de viajantes, estudos botânicos e informações da Embrapa e da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. A atividade extrativista teve papel central na economia de municípios amazônicos e na sobrevivência de populações tradicionais.
O cenário mudou com o avanço do desmatamento nas áreas próximas a Marabá e a transformação da economia regional. Até a década de 1980, grande parte da castanha brasileira também era exportada sem beneficiamento, enquanto a produção boliviana passou a ganhar espaço no mercado de produtos processados.
O peso do Brasil no mercado mundial
Dados analisados pela Embrapa entre 2014 e 2022 mostram que o Brasil respondeu por 47% da produção mundial de castanha com casca, contra 44% da Bolívia e 9% do Peru.
Nas exportações do produto com casca, o Brasil também liderou, com 56% do volume e 52% do valor movimentado mundialmente. Apesar disso, a produção brasileira apresentou queda média anual de 1,31% no período. A Bolívia também registrou retração, enquanto o Peru cresceu 3,41% ao ano.
Quando se considera a castanha beneficiada, a posição brasileira é menos dominante. A Bolívia ganhou espaço ao exportar o produto processado, mostrando que o valor da cadeia não depende apenas da quantidade produzida, mas também da capacidade de beneficiar e agregar valor à amêndoa.













