As chamadas cercas de colmeias ativas ligadas por arame, reduzem significativamente os ataques de elefantes às plantações próximas ao Parque Nacional de Tsavo East, no Quênia.
Essa barreira viva pode afastar os animais quando eles buscam alimento e água nas terras agrícolas, durante o amadurecimento das colheitas.
Publicado em 2024, um estudo de nove anos mostrou que uma barreira simples, formada por 365 colmeias ativas, pode reduzir significativamente esses ataques e gerar renda adicional com mel.
A pesquisa saiu na revista Conservation Science, sob o título “Impacto da seca e do desenvolvimento na eficácia de cercas de colmeias como repelentes de elefantes ao longo de 9 anos no Quênia”, e examinou 3.999 encontros entre elefantes e plantações em duas comunidades próximas ao parque.
Ao longo de todo o período, as cercas afastaram, em média, 76,04% dos elefantes. Durante as principais estações de plantio, a taxa chegou a 86,27%.
Beehive fences como barreira viva contra elefantes
Uma cerca de colmeias não é apenas uma fileira de caixas ao redor de um campo.
No estudo queniano, colmeias ativas e falsas foram ligadas por arame, criando uma estrutura que se move quando um elefante a pressiona.
Esse movimento agita as colmeias conectadas e perturba as abelhas, que começam a enxamear. Os elefantes evitam abelhas irritadas, especialmente nas partes sensíveis do rosto.
Os pesquisadores monitoraram 26 fazendas nas comunidades de Mwakoma e Mwambiti. Cada uma era cercada por 12 a 15 colmeias. Inicialmente, pequenas aberturas foram deixadas perto das casas, mas elas se tornaram pontos de entrada para os elefantes.
Depois, tiras de latas com pedras foram adicionadas para fechar os vãos e criar fontes extras de ruído que afastavam os animais.
Resultado mais forte nas épocas de colheita
A eficácia da barreira variou ao longo do período estudado. Entre junho de 2012 e dezembro de 2020, os pesquisadores registraram encontros com elefantes nas áreas cercadas.
De 3.999 encontros, 1.007 elefantes foram completamente desviados pelas colmeias, enquanto 2.649 encontros terminaram com os animais contornando a cerca.
Outros 343 elefantes conseguiram entrar através da barreira, e a proteção funcionou melhor quando as colônias de abelhas permaneceram saudáveis.
Durante as seis principais estações de plantio, a taxa de afastamento chegou a 86%.
O resultado indica que as cercas são mais eficazes quando há alimento disponível para as abelhas e a população de insetos é robusta.
Um complemento, não uma solução final
A Universidade de Oxford, por meio do Departamento de Biologia, destacou os achados em outubro de 2024 e descreveu a abordagem como um método baseado na natureza que protege tanto as plantações quanto a vida selvagem.
O relatório alertou que “aumento na perturbação do habitat ou secas mais frequentes poderiam reduzir a eficácia” do método, segundo Lucy King.
Os pesquisadores ressaltaram que essa estratégia funciona melhor como parte de um plano mais amplo contra conflitos entre humanos e elefantes, não como solução única.
A eficácia depende de as abelhas permanecerem ativas e atentas, o que exige monitoramento, manutenção das colônias e adaptação às condições locais e às variações climáticas.
Renda extra sem prejudicar a fauna
Além da proteção, o sistema oferece aos agricultores uma fonte adicional de renda com a produção de mel.
As abelhas polinizam as plantações enquanto as protegem contra invasões de elefantes, criando um ciclo que beneficia tanto a agricultura quanto o ecossistema local.
Esse duplo benefício torna o método atrativo para comunidades que convivem com conflitos frequentes entre cultivo e vida selvagem.
O estudo reforça a importância de manter colônias saudáveis e adaptar as cercas às condições de cada região.
A presença de abelhas ativas determina se os elefantes recuarão ou não diante da barreira.













