Em uma plantação de frutas exóticas no norte de Queensland, na Austrália, um produtor encontrou uma forma pouco convencional de enfrentar um dos principais problemas do cultivo: a presença de ratos.
Diante do desafio, Jack Waterman decidiu buscar uma alternativa ao uso exclusivo de venenos. A estratégia combina armadilhas feitas pelo próprio produtor com a presença de um predador natural dos roedores: a coruja.
A ideia é atrair as aves para dormir entre as árvores e caçar os roedores à noite.
Ratos mortos em pneus com ajuda canina
A primeira etapa do método usa pneus de carro velhos, cobertos com uma chapa ondulada que funciona como teto.
Dentro da parte tubular, Waterman fixa iscas envenenadas, transformando o pneu em um esconderijo que os roedores preferem para se instalar.
Ao levantar os pneus para checar as iscas, o agricultor conta com a ajuda dos próprios cães da propriedade.
Os animais comem os roedores que saem correndo do interior do pneu, conforme informou Waterman ao ABC.
Caixas-ninho atraem corujas ao pomar
A organização North Queensland Dry Tropics forneceu a Waterman caixas-ninho para instalar entre as árvores.
Cada modelo tem uma entrada com medida específica, pensado para imitar o interior de um tronco oco e convencer as corujas a se mudar para lá.
Waterman informou ao ABC que já teve bons resultados com as aves: numa plantação de macadâmia que administra mais ao sul, percebeu que as corujas são eficientes no controle da praga.
A estratégia combina dois efeitos, e os roedores que já vivem na propriedade são atraídos para os pneus, onde são envenenados e depois consumidos pelos cães.
As corujas que procuram abrigo podem desistir ao notar a presença de outras aves caçando à noite.
A ocorrência da praga é regional e mobiliza ações das autoridades
O governo de Nova Gales do Sul chegou a encomendar veneno importado da Índia sem aprovação regulatória para tentar conter o avanço da praga entre os produtores rurais.
A associação NSW Farmers prevê que o prejuízo só com a safra de inverno pode chegar a 1 bilhão de dólares australianos.
Ainda assim, Steve Henry, especialista em roedores do CSIRO considera improvável que a infestação em escala rural chegue até Sydney, embora haja possibilidade de aumento dos roedores já presentes na cidade.
Enquanto autoridades discutem soluções em maior escala, produtores como Waterman seguem apostando em métodos artesanais, combinando armadilha, cão e coruja para proteger a colheita.













