A família Kellogg hoje trabalha com uma operação de cerca de 3.237 hectares em Ohio, nos Estados Unidos. O cenário, porém, é bem diferente daquele enfrentado por Bill Kellogg décadas atrás, quando ele ainda era adolescente e ajudava a administrar cerca de 283 hectares. Entre esses dois momentos estão uma grave crise agrícola, risco de perder a propriedade, venda de bens pessoais e uma mudança completa na forma de cuidar do solo.
Em 2026, Bill, ao lado do filho Shane, esteve entre os produtores reconhecidos com o Ohio Conservation Farm Family Award, prêmio destinado a famílias que adotam práticas de conservação e manejo sustentável.
Da erosão ao manejo de precisão
Bill começou na agricultura aos 14 anos e, ainda no ensino médio, já administrava cerca de 700 acres, ou 283 hectares. Foi quando passou a lidar com valas de erosão e perda de solo provocadas pelo escoamento da água.
Na crise agrícola americana dos anos 1980, com preços baixos, juros altos e dificuldades de crédito, a família chegou perto de perder a operação. Bill precisou vender bens pessoais para manter a produção e, diante das perdas no campo, começou a adotar medidas para proteger o solo:
- faixas de vegetação e canais gramados;
- estruturas para controlar água e sedimentos;
- práticas voltadas à redução da erosão.
Décadas depois, a operação cresceu para cerca de 8 mil acres, equivalentes a 3.237 hectares, entre terras próprias e arrendadas, com trabalho junto a aproximadamente 30 proprietários.
O solo como estratégia
Com o filho Shane, Bill ampliou o uso da agricultura de precisão, incluindo amostragem do solo em grade desde 1999. Hoje, o manejo reúne:
- plantio direto e strip-till;
- plantas de cobertura e faixas de proteção;
- drenagem subsuperficial;
- manejo de nutrientes e aplicação de fertilizantes em taxa variável;
- áreas destinadas a polinizadores.
Segundo o Blanchard River Demonstration Farms, técnicas de aplicação mais precisas reduziram em cerca de um terço o uso de fertilizantes em determinadas áreas, sem perda de produtividade. A operação também mantém aproximadamente 60 acres de canais gramados, que ajudam a controlar o escoamento da água e proteger o solo.
A produção atual é concentrada principalmente em milho e soja, cultivados em diferentes áreas dos condados de Hardin, Hancock e Wyandot. A expansão da operação aconteceu ao mesmo tempo em que o manejo passou a depender cada vez mais de dados, mapas de solo, equipamentos de precisão e estratégias voltadas à conservação.













