Adriana Rubert recebeu sementes de sorgo vassoura de presente durante um Fórum de Segurança e Soberania Alimentar em Sobradinho. Depois de plantá-las, procurou a mãe, Marlene Rubert, para aprender a confeccionar vassouras, uma arte que permanecia adormecida havia quase 40 anos na família.
Marlene aceitou o convite da filha, e as duas produziram três vassouras, que agora fazem parte da rotina doméstica. O resgate dessa tradição centenária do Rio Grande do Sul avançou quando elas decidiram compartilhar o conhecimento com outras agricultoras da região em uma oficina sobre a fabricação artesanal de vassouras, realizada em maio de 2026.
Memória plantada e colhida
A troca de sementes mobilizou sentimentos ligados à identidade e às lembranças das agricultoras participantes, segundo a extensionista rural Maiquiele Schaefer Roso, da Emater/RS-Ascar. Adriana incentivou as outras mulheres da Associação das Trabalhadoras Rurais de Sobradinho a publicar, em um grupo do Facebook, fotos das vassouras e de outros itens produzidos com as sementes do fórum.
Maiquiele observou que a prática resgatou recordações que o tempo havia deixado adormecidas nas comunidades, embora as pessoas ainda preservassem essas memórias em segredo. A satisfação de reviver um saber ancestral levou famílias inteiras a retomar esse conhecimento.
Sementes que tecem laços
Para a próxima edição do Fórum de Segurança e Soberania Alimentar, Adriana e Marlene já reservam suas sementes de sorgo vassoura com o propósito de manter o ciclo vivo.
Os encontros de troca ampliam a diversidade de mudas e sementes cultivadas localmente. O maior impacto, porém, está no vínculo criado entre as agricultoras ao longo do ano, e não apenas no dia do evento.
Marlene considerou importante preservar esses conhecimentos para o futuro, pois, sem iniciativas assim, muitas coisas serão esquecidas. A troca de sementes se torna, portanto, um elo entre gerações e uma forma de fortalecer os grupos rurais que mantêm viva a tradição do ofício.













