A proposta de Orçamento da União para 2027 prevê R$ 1,2 bilhão para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
Do total, porém, apenas R$ 318,5 milhões estão garantidos para execução, enquanto os outros R$ 881,5 milhões dependem de uma autorização específica para serem liberados.
O montante condicionado representa aproximadamente 73,5% dos recursos previstos para o programa.
A diferença entre o valor anunciado e o que efetivamente pode estar disponível preocupa produtores rurais e entidades do agronegócio, principalmente diante do cenário de maior endividamento e aumento dos custos financeiros no campo.
A restrição ocorre em um momento de forte pressão sobre os produtores. A inadimplência do crédito rural contratado a taxas de mercado mais do que triplicou em apenas 12 meses, aumentando a necessidade de mecanismos capazes de reduzir os riscos da atividade agropecuária.
Ao mesmo tempo, a área agrícola protegida pelo seguro rural encolheu 76,6% entre 2021 e 2025, o que reduziu significativamente a abrangência do programa.
Seguro Rural enfrenta restrição orçamentária em 2027
A FGV Agro calculou que seriam necessários R$ 2,37 bilhões para recuperar a cobertura de 2021, quando o programa protegeu 13,45 milhões de hectares e cerca de 209 mil apólices.
Mesmo com a liberação integral dos R$ 1,2 bilhão, o orçamento ficaria pouco acima da metade daquele patamar.
O seguro rural permite transferir parte do risco antes do prejuízo. Com cobertura limitada, os produtores ficam mais expostos e podem depender depois de renegociações de dívidas, programas emergenciais ou outras formas de apoio público.
Clima intensifica o risco
As incertezas climáticas para as próximas safras aumentam a urgência.
Há ainda a possibilidade de o El Niño se intensificar, o que preocupa o setor por poder mudar o padrão de chuvas e ampliar os riscos climáticos em várias regiões produtoras.
Para entidades do agronegócio, essa incerteza em relação aos recursos tende a atrapalhar o planejamento dos produtores, especialmente num cenário já marcado por aperto financeiro e endividamento no campo.
Para os produtores, o problema não é apenas o valor anunciado no orçamento, mas quanto estará disponível para subsidiar a contratação das apólices no planejamento da safra.
O que pode mudar até lá
A proposta de Orçamento de 2027 ainda será analisada pelo Congresso Nacional como parte do processo de aprovação da Lei Orçamentária Anual.
Durante a tramitação, os valores previstos e as fontes de financiamento podem ser modificados.
O setor produtivo acompanha a discussão com a expectativa de que uma parcela maior dos recursos esteja efetivamente disponível no momento da contratação das apólices.
A preocupação é evitar que o dinheiro seja autorizado apenas posteriormente, quando o calendário agrícola já estiver avançado e parte das decisões de proteção da safra já tiver sido tomada.













