Pesquisas da Embrapa Semiárido mostram que a água salobra, inadequada para consumo humano, pode viabilizar a produção de mudas nativas da Caatinga no Semiárido.
Comum nos aquíferos da região, esse tipo de água aumenta a resistência das plantas em vez de prejudicá-las.
A descoberta oferece uma forma de aproveitar a água de aquíferos comuns na região, que apresentam alta concentração de sais.
Mudas nativas cultivadas com água salobra
Espécies nativas da Caatinga estão adaptadas ao calor extremo e à escassez de chuva.
Essa adaptação natural permite que algumas germinem e cresçam mesmo diante de concentrações de sal na água próximas às do mar.
Os testes da Embrapa Semiárido confirmaram que mudas de espécies nativas como angico-de-caroço, catingueira-verdadeira, mulungu e pereiro se desenvolveram de forma semelhante às plantas cultivadas com água tratada.
A aroeira-do-sertão mostrou menor resistência, o que pode limitar seu uso em solos mais salinos.
Crescimento equilibrado sem adubação
Mudas irrigadas com água salobra cresceram de forma parecida com aquelas que receberam água tratada.
O resultado indica que o sal não impediu o desenvolvimento das plantas estudadas.
O resultado surpreendeu justamente porque nenhuma adubação foi aplicada, e os pesquisadores dispensaram propositalmente o adubo para isolar o efeito da salinidade. Mesmo assim, as mudas absorveram nutrientes.
O experimento indica, portanto, que as plantas conseguem se desenvolver em condições salinas sem adubação.
Preparação da planta para o campo
A irrigação ocorre em substratos, não diretamente no solo onde a muda será plantada. A técnica evita a salinização do solo e, ao mesmo tempo, prepara a planta para o ambiente que encontrará no campo.
Segundo Bárbara Dantas, pesquisadora da Embrapa Semiárido, a muda sai do viveiro já “rustificada”, pronta para lidar com o solo salino sem sofrer choque ao se adaptar.
A prática segue o conceito de agricultura biossalina, que aproveita características naturais do ambiente em vez de tentar corrigi-las com insumos caros.
Com isso, torna a produção viável e ecologicamente mais inteligente.













