Depois de anos de melhoramento genético, a Embrapa desenvolveu cultivares de algodão que já produzem fibras naturalmente coloridas. Há variedades em tons de verde, marrom-claro, marrom-escuro e marrom-avermelhado, eliminando a necessidade de tingimento da fibra branca para obter diferentes cores. Com isso, o material reduz o uso de corantes, água e energia na etapa industrial.
O cultivo se concentra principalmente em pequenas propriedades do Nordeste, onde agricultores familiares realizam o plantio e a colheita. A tecnologia criou um nicho de maior valor agregado para produtores e para a indústria têxtil, além de abrir espaço para peças que preservam a cor original da fibra. A própria Embrapa aponta o algodão colorido como uma alternativa de geração de renda e agregação de valor para a agricultura familiar do Semiárido.
Fibra naturalmente colorida dispensa tingimento químico
Enquanto o algodão convencional precisa receber corantes para ganhar novas tonalidades, o colorido já sai da planta com a pigmentação. A Embrapa destaca que suas cultivares naturalmente coloridas dispensam corantes, reduzindo o consumo de água e energia e evitando resíduos de tinta no processo industrial.
A tecnologia também chegou ao mercado de moda. Em 2021, a marca paraibana Natural Cotton Color apresentou em Milão a coleção “Ipês do Brasil: do Cerrado ao Sertão”, durante a Milan Fashion Week.
Foram 16 looks, entre peças femininas e masculinas, produzidos com algodão orgânico naturalmente colorido, incluindo tecidos como denim e jacquard de algodão com seda. Foi em 2004 que essa fibra desfilou pela primeira vez, quando o estilista Ronaldo Fraga a levou à São Paulo Fashion Week.
Menos água e mais valor
A ausência do tingimento é um dos principais diferenciais ambientais da fibra. Estimativas divulgadas pela cadeia produtiva apontam economia de até 87,5% de água em relação ao processo convencional de produção de tecidos coloridos, embora o percentual varie conforme o sistema produtivo e a etapa considerada.
Além do benefício ambiental, o algodão colorido pode alcançar preços superiores aos do algodão branco. Experiências de produção na Bahia registraram valor agregado acima de 30%, enquanto estudos da Embrapa apontam a cultura como alternativa de renda para famílias do Semiárido.
Da agricultura familiar à moda internacional
A cadeia desenvolvida na Paraíba conecta pequenos produtores, beneficiamento, indústria têxtil, artesanato e marcas de moda. A Natural Cotton Color, por exemplo, trabalha com algodão colorido produzido pela agricultura familiar e incorporou técnicas artesanais às peças, levando a matéria-prima brasileira a eventos internacionais.
A pesquisa continua. Além das seis cultivares já lançadas, a Embrapa informou que trabalha no desenvolvimento de novas tonalidades, como laranja e lilás. A ideia é ampliar as possibilidades de uso da fibra naturalmente colorida e transformar uma característica genética da planta em diferencial para produtores, indústria e consumidores.













